Uganda prepara 1.200 soldados para força internacional de segurança em Gaza – Correio da Kianda
Uganda aprovou o envio de cerca de 1.200 militares para integrar a futura força internacional de segurança prevista para a Faixa de Gaza, enquanto o Burundi avalia a possibilidade de também participar da missão.
As negociações avançaram na semana passada, durante conversações realizadas em Israel entre autoridades militares dos dois países africanos e representantes envolvidos na criação da força internacional proposta pelo Conselho de Paz do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Segundo fontes familiarizadas com as negociações, militares ugandeses e burundeses deslocaram-se a Israel para discutir os termos de uma eventual participação na missão, que deverá contar com cerca de 20 mil soldados.
Um representante do Conselho de Paz confirmou que autoridades ugandesas participaram nas discussões juntamente com uma delegação militar do Burundi. Uganda está agora a finalizar os detalhes da sua contribuição, depois de o Parlamento ter aprovado, este mês, o envio de tropas.
Um oficial militar ugandês, citado por fontes próximas do processo, afirmou que cerca de 1.200 soldados já foram indicados para a possível missão e que as tropas estão a ser seleccionadas para um eventual destacamento.
O Burundi ainda não assumiu formalmente um compromisso com a força internacional, mas a presença de vários oficiais militares de alta patente na delegação enviada a Israel é interpretada como sinal de interesse na missão.
Ainda não estão definidos o número de militares que o Burundi poderá disponibilizar nem as condições que os países participantes poderão receber em contrapartida.
A futura Força Internacional de Estabilização deverá ser composta por cerca de 20 mil militares e terá como comandante o major-general norte-americano Jasper Jeffers.
Até ao momento, contudo, os compromissos anunciados estão muito abaixo da meta estabelecida. Marrocos terá disponibilizado até 500 militares, enquanto Kosovo, Cazaquistão e Albânia comprometeram-se, em conjunto, com cerca de 80 soldados.
A Indonésia chegou a indicar que preparava o envio de aproximadamente 8 mil militares, mas suspendeu os planos depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
De acordo com a proposta apoiada pelos Estados Unidos, a força internacional deverá ser destacada para áreas da Faixa de Gaza administradas por um comité tecnocrático, depois da retirada das forças israelitas.
Entre as suas principais funções estarão a monitorização do cessar-fogo, o treino da polícia palestiniana, o apoio à segurança e a facilitação da entrega de ajuda humanitária.
O plano prevê igualmente o desarmamento do Hamas como parte do processo destinado a pôr fim ao conflito.
O processo de implementação do cessar-fogo permanece condicionado por divergências entre Israel e o Hamas, sobretudo em torno da retirada das forças israelitas e do desarmamento do movimento palestiniano.
Embora o Hamas tenha aceite a mais recente proposta apresentada pelos Estados Unidos, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, rejeita uma retirada imediata das forças israelitas das zonas que permanecem sob controlo de Israel, defendendo que o Hamas deve ser totalmente desarmado.
As autoridades norte-americanas continuam a desenvolver esforços diplomáticos para aproximar as posições, mas ainda não foi alcançado um acordo concreto sobre a retirada israelita.