Rei do Bailundo afasta envolvimento político e nega apoio à candidatura de Higino Carneiro – Correio da Kianda
O Rei do Bailundo afastou qualquer envolvimento do Reino em actividades político-partidárias e negou informações que apontam para um alegado apoio à candidatura do General Higino Carneiro.
A posição da autoridade tradicional foi apresentada pela Corte Real durante a recepção à ministra da Cultura do Brasil, que realiza uma visita ao Reino do Bailundo, na província do Huambo, tal como tinha noticado o Correio da Kianda.
Segundo a Corte Real, as informações divulgadas nas redes sociais sobre um suposto descontentamento do Rei do Bailundo e uma alegada manifestação de apoio político são falsas e não correspondem à posição oficial da instituição tradicional.
“Também ficámos admirados quando tomámos conhecimento desta informação. Junto com a Corte, sentámos, fizemos a revisão de nós mesmos e vimos que esta informação é totalmente falsa”, afirmou um representante da Corte.
A autoridade tradicional explicou que chegou a ser levantada a hipótese de a informação ter sido criada com recurso à inteligência artificial, mas posteriormente verificou-se que as declarações foram atribuídas ao General Higino Carneiro.
A Corte Real reafirmou que o Reino do Bailundo tem como missão principal preservar a cultura, a identidade e os valores ancestrais, mantendo uma postura de independência em relação às disputas políticas.
“O Rei e a instituição não são políticos e nós também não vamos admitir que quem vem visitar o Rei do Bailundo se atrele àquilo que são os seus anseios”, declarou.
Sobre as alegadas “75 subjugações” mencionadas nas informações divulgadas, o Reino desafiou os autores das acusações a apresentarem provas documentais que sustentem tais afirmações.
“As subscrições que nos são ditas devem ser claras. Alguém tem que mostrar onde está o documento assinante dessas 75 subjugações”, afirmou a Corte Real.
O Reino do Bailundo destacou ainda que continuará disponível para receber entidades políticas, religiosas e sociais, mas rejeita qualquer tentativa de utilização da autoridade tradicional para fins eleitorais.
“Queremos informar aos políticos que façam política com idoneidade. Nesta altura sabemos que é a fase de recolha de assinaturas. Então que se faça algo legível, sem se apoiarem nas autoridades tradicionais”, apelou.
No final, a Corte Real pediu calma à população do Huambo e de Angola, reiterando que o Reino do Bailundo não apoia a candidatura do General Higino Carneiro nem qualquer outro projecto político.
“O Reino do Bailundo não está a fazer política para o General Higino Carneiro”, concluiu.