Unitel recusou pagar resgate de 300 mil milhões de kwanzas exigido por hackers – Correio da Kianda
A Unitel recusou pagar um resgate de 300 mil milhões de kwanzas exigido pelos hackers responsáveis pelo ataque informático que afectou a operadora no passado dia 28 de Julho, optando por recuperar os sistemas através de uma intervenção técnica gradual.
Segundo uma investigação da revista Economia & Mercado (E&M), os cibercriminosos exigiram um montante equivalente ao valor arrecadado com a venda de 15% das ações da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), pretendendo que o pagamento fosse efectuado em criptomoedas.
De acordo com uma fonte da empresa citada pela publicação, os atacantes conseguiram aceder à plataforma utilizada para acesso remoto aos sistemas da operadora, encriptando dados críticos do Data Center e comprometendo temporariamente a prestação de vários serviços.
“Foi um ataque à nossa rede. Invadiram a nossa aplicação para acesso remoto e conseguiram encriptar os nossos dados. Isso está a levar a uma grande intervenção técnica para recuperar o nosso Data Center”, revelou a fonte, sob condição de anonimato.
Apesar da dimensão do ataque, a administração da Unitel decidiu não ceder às exigências dos hackers, recusando efectuar qualquer pagamento para desbloquear os sistemas.
Desde então, as equipas técnicas têm trabalhado na recuperação gradual da infraestrutura tecnológica, permitindo o restabelecimento progressivo dos serviços de voz, dados móveis e plataformas digitais. Os trabalhos continuam igualmente nos sistemas de billing, responsáveis pela faturação dos clientes.
A mesma fonte garantiu ainda que, apesar da invasão informática, os atacantes não conseguiram desviar recursos financeiros da empresa.
“Apesar destas contrariedades técnicas, estes hackers, que podem ter origem no nosso próprio país, não conseguiram, felizmente, sacar algum valor das contas da empresa”, afirmou.
O ataque à Unitel reacendeu o debate sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de cibersegurança nas empresas estratégicas do país, sobretudo nas infraestruturas de telecomunicações, cada vez mais expostas a ameaças digitais sofisticadas.
Até ao momento, a Unitel confirmou apenas ter sido alvo de um ataque informático que provocou perturbações na sua rede, não se pronunciando oficialmente sobre o alegado pedido de resgate nem sobre o montante referido pela revista.
Fonte: Revista Economia & Mercado (E&M).