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Sociedade

PAUSA TEMPORÁRIA NA INCIDÊNCIA PARTIDOCRATA

By Admin
August 24, 2026 4 Min Read
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A partir de 14 de Agosto de 2026, após a tomada de posse, como comissário nacional eleitoral, entro para uma nova fase de actuação cívica, enquanto jornalística. Farei uma pausa, na abordagem política. Por contingência de funções novas, no espaço público, nunca antes trilhado. Não será um desvio definitivo. Mas temporário.

Por William Tonet

Ao receber o convite, da UNITA, para integrar, como INDEPENDENTE, uma das quatro vagas, a que esta formação política tem direito na CNE, hesitei. Muito!

Tenho andado em peregrinação política por África, mais concretamente, no Shael, o berço da nova revolução, num exercício deslumbrante, em prol de uma independência livre dos resquícios e capachismo coloniais…

Tenho, orgulhosamente, impressões digitais na defesa da transformação das riquezas africanas (terras raras), em cada país do continente.

Como igualmente de críticas e acusações, frontais contra líderes de países que vendem o património público a privados, na óptica ocidental de, “menos Estado na economia e mais privados (estrangeiros)”. Chamam a essa corrente uma pérola económica e mais-valia das instituições de Bretton Woodds: FMI, BM, etc., todas versadas para o pensamento ocidental.

Privatizar as principais empresas públicas, nacionalizadas ou criadas com o advento das independências não é ECONOMIA DE MERCADO, MAS CRIME DE MERCADO.

Países que viveram a escravatura e o colonialismo, excluídos de sistemas de educação e ensino, que visassem o desenvolvimento dos seus cidadãos, não devem, nem privatizar as grandes empresas e empreendimentos públicos, verdadeiros faróis, para a implantação das políticas públicas: Ensino, Saúde e Empreendedorismo.

A partir de agora, lamentavelmente, as restrições limitarão os meus passos…

Não poderei ancorar, com a mesma regularidade, nas bolsas  transformadoras do Senegal, Burkina Faso, Mali, Níger, Moçambique, Malawi…

Vivia empolgado. Africanamente esperançado, num advir diferente.

Por isso, quando me foi lançado o convite para integrar a CNE, tive de olhar para o meu cosmos; familiar, de amizade e os próximos…

Todos tinham duas visões.

Primeira a de limitação da veia jornalística, sem amarras. Segunda, o respeito de ter de me curvar ao chamamento maior de milhões do país e não só de uma força política.

Convenceram-me a estar no lugar onde o clamor dos que sonham é, alegadamente, obliterado. Para ver. Para observar.

Parcialmente convencido, avancei.

Disse a todos, que a declaração de aceitação, não significava de “per si”, que iria descobrir o caminho marítimo para o Huambo… Longe disso.

A única e verdadeira garantia, que a todos deixo é, tal como os demais, ser, durante o mandato, “escravo do direito e dos regulamentos”. É de servir o país, com todas as forças. Fiscalizar os actos em nome de Angola e dos Angolanos.

Não cair na tentação… e livrar-me, sempre, como até aqui, do mal… Amém!

É uma tarefa hercúlea, dizem os pretéritos e os presentes comissários. Daí a crença de no compromisso da humildade, podermos ser os olhos da águia.

Mas, no final é preciso, que TODOS, absolutamente, TODOS, credibilizemos o escrutínio eleitoral, que Angola clama.

O Soberano, na sua individualidade defende a qualidade do seu voto. Da sua escolha… Porque o sonho de sonhar não pode, não deve ser negado a ninguém…nem falsamente quantificável… 

Esse é o sonho imaterial de milhões, desde 1992, mas também o da legítima desconfiança, de outros tantos…

Entre erros e acertos, os órgãos independentes têm de transmitir confiança à cidadania eleitoral, fazendo tudo ao seu dispor para se dissiparem todas suspeições.

O olhar é positivo. A fé inabalável de o choro de milhões, hoje, vir a regar os campos onde desabrochará a esperança de um país irmanado e bom para todos.

As novas funções de comissário eleitoral exigem, ter crença no império da isenção, imparcialidade, lisura e verdade eleitoral.

O atrás vertido foi causa justificativa para abalroar, neste período, o jornalismo de informação geral, acutilante, que impede um escrutínio andarilho, ao desempenho dos vários actores políticos indígenas.

O país, estando acima dos partidos políticos, as nossas energias devem ser aplicadas e colocadas, acima das invejas e vaidades umbilicais, como propósito de homenagear o sonho do cidadão soberano eleitor e de Angola. 

Enquanto comissário eleitoral terei de manter isenção nas abordagens generalistas na comunicação social. Segundo a lei poderei navegar, apenas na especificidade técnica ou social.

É, bem ou mal, um imperativo das regras da CNE, no quadro do princípio da imparcialidade institucional, enquanto órgão, segundo a Constituição, independente na organização e condução dos processos eleitorais.

No entanto, tal como estatui o art.° 40.° CRA, a liberdade de expressão do comissário eleitoral, não pode ser coartada, mas também não é absoluta. Exercerei o cargo com total independência, mas não poderei, doravante, fazer declarações públicas de carácter político-partidário de concorrentes ou sobre a CNE, tarefa que engaja o seu porta-voz.

Por inexistir tradição eleitoral, em função da falta de um Tribunal Eleitoral, todos devemos fazer esforços em aprender e defender o papel de fiscal eleitoral a todos os níveis.

Vamos todos ao voto, porque este país é dos autóctones!

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