OS POBRES (20 MILHÕES) E MAIS UM ELEFANTE BRANCO
Angola (ou seja, o MPLA) investiu mais 290 mil milhões de kuanzas, quase 280 milhões de euros, na diminuição do número de pobres que, hoje, são mais de 20 milhões? Não. Investiu essa verba num Palácio de Convenções inaugurado hoje, com capacidade para milhares de pessoas, a pensar no turismo de negócios e eventos. Quanto aos pobres, esses aprendam – como estabelece o MPLA – a viver sem comer.
O novo espaço, construído onde há três anos era mar, no centro da capital do país, Luanda, foi inaugurado pelo Presidente do MPLA, nas vestes por inerência de Presidente a República, João Lourenço, que sublinhou a importância da obra para receber eventos internacionais, até agora realizados em tendas e hotéis.
“Angola abriu-se ao mundo e como consequência disso tem conseguido atrair, particularmente para a sua capital Luanda, importantes eventos internacionais”, disse o Presidente.
As novas instalações passam a oferecer “capacidade e condições de trabalho e de conforto”, com um anfiteatro com 3.000 lugares, que os delegados da 21.ª sessão extraordinária da conferência de chefes de Estado e de Governo da União Africana irão experimentar no próximo fim-de-semana.
O Palácio de Convenções tem 12 salas, quatro das quais ainda inacabadas, e uma das quais com 500 lugares.
Para o chefe de Estado, este espaço “vem dignificar o país” e servirá de base à aposta no turismo de negócios e eventos.
O general presidente João Lourenço lançou um apelo ao investimento privado, vincando que “não basta ter este centro”, é preciso o que ainda falta a Angola: investimento no setor do turismo, concretamente na hotelaria.
“É momento de começarem a investir seriamente na hotelaria. Luanda tem poucos hotéis, esta é a oportunidade para o setor privado investir em hotelaria”, desafiou, acrescentando que “todo investimento que vier será sempre insuficiente” para o que falta fazer.
O Presidente do MPLA (partido mo governo há 50 anos) referiu que os passos actuais são resultado de um caminho gradual que o país tem feito para mudar o ambiente de negócios em Angola. Manter-se-á, como está no ADN do MPLA, a regra de o governo trabalhar para os poucos (relativamente) que têm milhões, e não para os muitos milhões que têm pouco ou… nada.
Este chamamento ao turismo começou há já alguns anos, disse, com a propaganda relativa ao “combate à corrupção, isenção de vistos a cidadãos de cerca de 90 países do mundo, reformas no sentido de reduzir a burocracia na constituição de empresas e na forma de fazer negócios em Angola”.