UNITA REGRESSA AO LOCAL DO CRIME… DO MPLA
A Unidade Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) regressa sexta-feira à cidade de Uíge, depois dos graves incidentes de 8 de Agosto, onde vai reunir (se o MPLA, na sua qualidade de dono do país, deixar) o Comité Permanente na preparação para as eleições do próximo ano.
O principal partido angolano da oposição que – a muito custo – o MPLA ainda permite, tem agendada, para 4 de Setembro, a 4.ª reunião ordinária do Comité Permanente da Comissão Política e escolheu para o evento a cidade onde a 8 de Agosto se registaram confrontos preparados e protagonizados pela Polícia que deveria ser Nacional e não do MPLA, como foi o caso.
Pelos menos 31 pessoas ficaram feridas durante a intervenção da polícia junto à sede no Uíge, onde o partido acabou por cancelar uma cerimónia para assinalar o 92.º aniversário do fundador, Jonas Savimbi, durante uma actividade da juventude da UNITA, a JURA.
A UNITA apresentou queixas-crime contra o governador do Uíge e o comandante provincial da Polícia Nacional, enquanto aquela força de segurança acusou o partido de fazer uso político do incidente.
Menos de um mês depois, o Comité Permanente reúne-se sob o lema “Com Unidade e Inclusão, Realizar a Alternância do Poder em 2027, UNITA — a Esperança dos Angolanos”, para analisar a situação política, social e económica do país, divulgou o partido.
De acordo com a informação disponibilizada, a reunião servirá também para fazer o balanço do desempenho durante os meses de Junho, Julho e Agosto do partido que tem como meta vencer o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) no poder desde a independência, há mais de meio século.
No balanço da actividade recente constam as reclamações da UNITA ao indeferimento de várias iniciativas do grupo parlamentar, na Assembleia Naciona (do MPLA)l, sobre questões de âmbito nacional.
O partido viu rejeitado, entre outras iniciativas, o requerimento a pedir uma Comissão Parlamentar de Inquérito ao “apagão” que, no final de Julho, deixou Angola sem comunicações vários dias, devido a um ciberataque, e outro sobre as cheias em Benguela e rompimento do dique do rio Cavaco, em Abril.
A UNITA denuncia que todos os indeferimentos têm “a mesma data, todos são subscritos pelo mesmo signatário e todos com idêntico teor, quer na parte do parecer, quer na parte decisória”.
Para a UNITA, a produção de “decisões textualmente iguais” sobre questões distintas “demonstra ausência de apreciação”.
“O grupo parlamentar da UNITA considera que os documentos remetidos ao presidente da Assembleia Nacional, alguns dos quais com carácter de urgência, carecem de uma interpretação cuidadosa para bem da sociedade”, refere, em comunicado.