RDC suspende actividades académicas em Goma e Bukavu devido à ingerência do M23 – Correio da Kianda
O Governo da República Democrática do Congo (RDC) anunciou a suspensão temporária de todas as actividades académicas e para-académicas nas cidades de Goma e Bukavu, províncias do Kivu Norte e Kivu Sul. A medida surge na sequência de graves tensões políticas e de segurança na região leste do país, que se encontra sob controlo parcial do movimento rebelde Aliança Fleuve Congo (AFC/M23).
A decisão foi formalizada através de um decreto assinado pela ministra do Ensino Superior, Universitário, Investigação Científica e Inovação da RDC, Marie-Thérèse Sombo. De acordo com o documento oficial, a suspensão abrange o ano académico de 2026-2027 e afecta directamente grandes instituições públicas da região, tais como a Universidade de Goma, o Instituto Superior de Comércio de Goma, o Instituto Superior de Técnicas Médicas de Goma, o Instituto Superior Pedagógico de Goma, bem como a Universidade Oficial de Bukavu e outras escolas superiores locais.
A tutela justificou a decisão com a necessidade de proteger os estudantes e o corpo docente, face à instabilidade militar e política que compromete o funcionamento normal das instituições. O ministério esclareceu que estão suspensos todos os processos de inscrição, aulas, avaliações e deliberações que possam culminar na atribuição de graus académicos durante o referido período, assegurando que a medida será revista assim que as condições de segurança permitirem o restabelecimento da ordem.
Excepção para finalistas e reacção às nomeações rebeldes
Para mitigar os impactos negativos na vida dos estudantes, o executivo de Kinshasa abriu uma excepção para os finalistas do ano académico de 2025-2026. Estes alunos estão autorizados a realizar as suas avaliações finais e a concluir os seus percursos formativos em instituições públicas ou privadas que sejam legalmente reconhecidas pelo Estado congolês, garantindo desta forma a validade dos seus diplomas académicos.
Este braço de ferro entre o governo central e a rebelião da AFC/M23 intensificou-se após o movimento rebelde, que conta com o apoio do Ruanda, ter nomeado unilateralmente novos comités de gestão para dez instituições de ensino superior na região. O Ministério do Ensino Superior da RDC rejeitou categoricamente estas nomeações, classificando a iniciativa dos rebeldes como uma usurpação de funções e um atentado à soberania nacional do país.
De acordo com informações originalmente avançadas pelo portal Actualité Congo Democratique, o conflito armado no leste da RDC continua a destabilizar os sectores sociais básicos, afectando agora de forma directa o subsistema de ensino superior. As autoridades de Kinshasa garantem manter uma vigilância contínua sobre a evolução da situação militar no terreno para decidir sobre a retoma oportuna das aulas nas províncias afectadas.
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