Onda de assaltos leva moradores do Olo II a exigir reforço policial no Soyo – Correio da Kianda
Moradores do Bairro Olo II, na zona de Kintambi-Faculdade, município do Soyo, província do Zaire, estão a exigir o reforço da presença policial na região, na sequência de uma onda de assaltos registada nas últimas duas semanas.
Os residentes afirmam que seis assaltos ocorreram na mesma zona em menos de 15 dias, situação que tem provocado um clima de medo e insegurança, sobretudo durante o período nocturno.
O caso mais recente aconteceu na madrugada de sábado, 5 de Setembro, por volta das 2 horas, quando uma residência localizada nas proximidades da Igreja Kimbanguista foi invadida por presumíveis assaltantes.
Segundo uma carta aberta dirigida ao Governo Provincial do Zaire e ao Comando Municipal da Polícia Nacional no Soyo, os invasores arrombaram as portas de dois quartos exteriores onde dormiam os filhos adolescentes da família.
Durante a invasão, os jovens terão sido violentamente agredidos, sofrendo ferimentos na cabeça e noutras partes do corpo.
Os assaltantes terão levado vários bens da residência, incluindo telemóveis, uma televisão plasma, relógios e vestuário.
Os gritos de socorro alertaram os vizinhos, que saíram em defesa da família munidos de catanas e machados. A intervenção dos moradores terá obrigado os presumíveis criminosos a abandonar o local.
O receio de um novo ataque levou os residentes a permanecerem em vigília até às 5 horas da manhã.
Os moradores dizem que o episódio mais recente faz parte de uma sequência de crimes que tem afectado a zona.
Entre os casos relatados está o assalto à residência do presidente do FC 14 de Abril, onde os presumíveis assaltantes terão amarrado o segurança privado da propriedade. Dias depois, terá sido registada uma nova tentativa de invasão, desta vez sem sucesso.
Também foi denunciado o assalto a uma cantina pertencente a um comerciante de nacionalidade congolesa. Segundo os moradores, os criminosos terão destruído o muro traseiro do estabelecimento para entrar no espaço e retirar os produtos.
Os residentes relatam ainda o roubo de uma motorizada na residência de um jovem morador, bem como um assalto à mão armada contra um cidadão local, a quem terão sido subtraídos dinheiro, telemóvel e uma carteira contendo os seus documentos pessoais.
A sucessão de ocorrências tem aumentado a preocupação dos moradores, que dizem já não se sentir seguros dentro das próprias residências durante a noite.
Perante o aumento dos assaltos, os moradores afirmam ter tentado criar equipas comunitárias de vigilância nocturna, conhecidas como “Turmas do Apito”.
A iniciativa, entretanto, não avançou devido ao receio dos residentes quanto às possíveis implicações legais e a uma nota da Administração Municipal que, segundo os moradores, terá proibido a criação destas equipas.
Os residentes defendem que a segurança deve ser assegurada pelas autoridades e pedem uma intervenção urgente para travar a onda de criminalidade.
Na carta dirigida às autoridades, solicitam a instalação de uma subunidade ou posto policial no Bairro Olo II, bem como a implementação de patrulhamento policial contínuo e regular, sobretudo durante o período nocturno.
“Diante da total vulnerabilidade a que estão expostos, os residentes do Bairro Olo II solicitam com máxima urgência que as entidades de direito tomem providências imediatas”, lê-se na missiva a que o Correio da Kianda teve acesso.
Os moradores esperam agora que as autoridades reforcem a presença policial na zona e adoptem medidas capazes de travar os assaltos que, segundo os residentes, têm transformado as noites no Bairro Olo II num período de medo e insegurança.