Namíbia no centro da guerra geopolítica pelos minerais estratégicos – Correio da Kianda
A Namíbia tornou-se o mais recente cenário de competição geopolítica entre a China e a União Europeia, que disputam o acesso aos vastos recursos minerais do país da África Austral. Com a corrida global pela transição energética, minerais como o lítio, cobalto e terras raras, abundantes no território namibiano, passaram a ser altamente cobiçados pelas principais potências económicas mundiais.
A China tem consolidado a sua presença na região através de investimentos significativos em infra-estruturas e na aquisição de concessões mineiras directas. Por outro lado, a União Europeia procura diversificar as suas fontes de abastecimento e reduzir a dependência do mercado asiático, propondo acordos de parceria que prometem maior transferência de tecnologia e sustentabilidade ambiental.
Diante desta forte concorrência externa, o Governo da Namíbia enfrenta a decisão crucial de determinar como o valor gerado por estes recursos será distribuído. A administração namibiana tem manifestado a intenção de proibir a exportação de minerais críticos não processados, uma medida que visa forçar os investidores estrangeiros a industrializar a produção localmente, gerando mais empregos e receitas fiscais para o país.
Esta postura reflecte uma tendência crescente entre as nações da África Austral, que procuram redefinir as suas relações comerciais para evitar a simples exploração de matérias-primas sem benefícios tangíveis para as populações locais. O desfecho desta disputa poderá reconfigurar as parcerias económicas na região e influenciar directamente o mercado global de energia limpa.
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