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Sociedade

MAIORIA DOS JOVENS AFRICANOS QUER MIGRAR

By Admin
August 5, 2026 3 Min Read
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Metade dos africanos inquiridos já ponderou emigrar, sobretudo jovens instruídos, revelou hoje um relatório do Afrobarometer, assinalando também forte apoio dos países ao comércio global e ao papel da China no continente.

Os cidadãos dos países da África Ocidental (34%), Central (24%) e Austral (23%) têm uma maior probabilidade de migrarem, sendo que a Gâmbia (53%) e a Libéria (51%) são os dois países onde os cidadãos são os mais propensos, segundo o relatório “Beyond Borders: Citizen Perspectives on a Shifting Global Order” (Além das Fronteiras: Perspetivas dos Cidadãos sobre uma Ordem Global em Transformação), tornado público em Acra, Gana, e que se baseia em dados de inquéritos representativos a nível nacional de 38 países africanos.   

A migração, causada por razões climáticas, conflitos ou alterações climáticas, tem tido “aumentos significativos”.

Em contrapartida, o Togo (de 30% para 23%), São Tomé e Príncipe (de 35% para 31%) e o Maláui (de 28% para 25%) são os únicos países que registaram declínios significativos na proporção de pessoas que disseram ter pensado em sair do seu país.

Segundo o documento, os cidadãos que emigram são na sua maioria homens, que estão na casa dos 18 e 35 anos, e são mais instruídos. Também se revela que o desejo de migrar é mais popular nas áreas urbanas do que rurais.

Os dados revelam que menos pessoas querem ficar no continente africano, que desceu cerca de nove pontos percentuais, e mais pessoas olham além do continente, sendo o primeiro destino a Europa (29%), seguida da América do Norte (28%).

Quase metade dos inquiridos expressou que ter pessoas a mudarem-se para o seu país para trabalhar durante muito tempo é bom para a economia, à excepção de alguns países, como o Gabão (74%), África do Sul (69%) e República Popular do Congo (63%).

“Em África, ao contrário do resto do mundo, são, na verdade, os mais instruídos, os mais qualificados e os mais ricos que expressam a resistência mais forte aos imigrantes”, declarou a directora de comunicação do Afrobarometer, Josephine Sanny, na divulgação do documento.

A maioria dos entrevistados defendeu a abertura das economias ao comércio e favoreceu conexões globais, mas o conhecimento sobre o Acordo de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA, na sigla inglesa) permanece residual.

Segundo dados do inquérito, 62% dos inquiridos consideram que os governos devem facilitar o comércio internacional, uma preferência maioritária em 32 das nações analisadas, embora países como Angola, Gâmbia, Madagáscar e Mauritânia ainda prefiram trocas limitadas.

Além disso, 66% apoiam a expansão das relações comerciais a nível global, sendo o Maláui e o Mali as únicas excepções que priorizam esta abertura mundial.

Em relação às potências globais, mais de 60% dos inquiridos vêem a China como uma influência positiva.

Já os Estado Unidos continuam a ser vistos como uma influência positiva, mas desceu seis pontos percentuais e aumentou outros sete na influência negativa.

Além destas potências globais, a União Europeia é a terceira a ter uma influência positiva, seguida das antigas potências coloniais, da Índia e da Rússia.

A influência a nível de organismos, como a União Africana e outras organizações económicas regionais, é vista pelos entrevistados como favorável.

A opinião na maioria dos inquiridos face a organismos internacionais, como a ONU e o seu Conselho de Segurança, regista 71% a afirmarem que o seu país deveria ter uma maior influência no poder de decisão, à exceção de Angola, segundo Josephine Sanny.

“Cada vez mais africanos dizem que os países ricos e desenvolvidos são os principais responsáveis pela ação climática”, concluiu a directora de comunicação.

No relatório apresentam-se as opiniões dos cidadãos relativamente ao comércio transfronteiriço e à integração económica, à migração, ao papel e à influência de África na governação global e às perceções sobre a influência das principais potências globais no continente.



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