Mapa político de África revela vários países sem um único ex-Presidente vivo – Correio da Kianda
A nível do continente africano, diversos países partilham uma particularidade política invulgar: não possuem qualquer antigo Chefe de Estado vivo. Este fenómeno, que desperta o interesse de analistas e cidadãos, resulta de diferentes contextos históricos, desde mandatos presidenciais extremamente longos até ao falecimento sucessivo dos antigos líderes nacionais.
Casos de extrema longevidade governativa
Países como os Camarões e a Guiné Equatorial ilustram cenários de permanência prolongada no poder. Nos Camarões, independentes desde 1960, Paul Biya governa desde 1982, enquanto o seu único antecessor, Ahmadou Ahidjo, morreu em 1989. Na Guiné Equatorial, Teodoro Obiang assumiu a presidência em 1979, após derrubar Francisco Macías Nguema, que foi executado, não tendo o país conhecido outro Presidente desde então.
O Sudão do Sul e a Eritreia vivem uma realidade semelhante. Desde a independência, ambos tiveram apenas um Chefe de Estado: Salva Kiir, no Sudão do Sul, e Isaias Afwerki, na Eritreia.
Angola e Namíbia também integram a lista
Angola passou igualmente a integrar este grupo. Desde a independência, o país teve três Presidentes da República. Os dois antigos Chefes de Estado, António Agostinho Neto, falecido em 1979, e José Eduardo dos Santos, que morreu em 2022, já não se encontram em vida, restando apenas o actual Presidente, João Lourenço.
A Namíbia apresenta um cenário idêntico. O país perdeu, em 2025, o seu terceiro Presidente, Hage Geingob. Os outros dois antigos Chefes de Estado, Sam Nujoma e Hifikepunye Pohamba, também faleceram, deixando o actual Presidente como o único Chefe de Estado namibiano vivo.
Sucessão de óbitos e transições históricas
Noutros casos, a inexistência de antigos Presidentes vivos resulta da morte de todos os predecessores. Na Zâmbia, que já conheceu sete Presidentes, todos os antigos líderes faleceram, incluindo Edgar Lungu, em Junho de 2025, e o antigo Presidente interino Guy Scott, em Julho de 2026.
No Uganda, Yoweri Museveni governa desde 1986, tendo todos os seus antecessores, como Idi Amin e Milton Obote, já falecido. Situação semelhante verifica-se na República do Congo (Congo-Brazzaville), onde Denis Sassou Nguesso sobreviveu politicamente a todos os seus antecessores. O mesmo acontece no Togo, no Djibuti e no Reino de Eswatini, onde o Rei Mswati III é o único monarca vivo após a morte do seu predecessor.
O caso particular da República Democrática do Congo
A República Democrática do Congo constitui uma excepção. O país possui um antigo Presidente vivo, Joseph Kabila, que deixou o poder em 2019. Contudo, o ex-Chefe de Estado enfrenta uma forte perseguição política e judicial por parte das actuais autoridades, sendo acusado de ligações ao movimento rebelde M23, acusações que rejeita. A sua situação demonstra que a existência de antigos Presidentes vivos nem sempre representa estabilidade institucional, podendo também reflectir profundas disputas pelo poder.
O impacto político da ausência de ex-líderes
Especialistas em ciência política defendem que a existência de antigos Chefes de Estado pode contribuir para a estabilidade institucional, funcionando como fonte de aconselhamento em momentos de crise e assegurando uma transição política mais equilibrada. Outros, porém, sustentam que ex-líderes influentes podem alimentar rivalidades internas, representar encargos para o Estado e limitar a margem de actuação dos governantes em exercício.
À medida que vários Presidentes africanos permanecem décadas no poder e outros países assistem ao desaparecimento dos seus antigos líderes, cresce o número de Estados africanos onde já não existe qualquer ex-Chefe de Estado vivo, uma realidade que espelha tanto a longevidade de alguns regimes como a evolução das transições políticas no continente.