Falta de formação especializada preocupa combate à violência doméstica no Uíge – Correio da Kianda
A ausência de formação especializada para os profissionais que prestam assistência às vítimas de Violência Baseada no Género (VBG) constitui uma das principais fragilidades identificadas no combate à violência doméstica na província do Uíge. O alerta consta do relatório do primeiro semestre de 2026 do Gabinete Provincial da Acção Social, Família e Igualdade do Género (GASFIG), que reconhece limitações na qualificação técnica dos seus quadros.
O documento, a que o Correio da Kianda teve acesso, revela que, durante o período em análise, não foram realizados workshops, seminários ou debates, nem qualquer acção de formação especializada destinada aos técnicos responsáveis pelo atendimento e acompanhamento das vítimas de violência baseada no género.
A falta de capacitação surge num contexto em que a província registou 14 casos de Violência Doméstica Baseada no Género no primeiro trimestre de 2026 e mantém uma rede de 24 Salas de Atendimento e Aconselhamento Familiar, distribuídas entre a sede provincial e os municípios.
Apesar da lacuna, os serviços do GASFIG prestaram assistência a 5.514 cidadãos, dos quais 3.041 mulheres e 2.473 homens, evidenciando uma procura significativa pelos mecanismos de apoio social.
No domínio da prevenção, o gabinete promoveu 14 palestras de sensibilização, que alcançaram 3.936 pessoas, além de sete actividades complementares, envolvendo 1.572 participantes. Ainda assim, a inexistência de formação específica para os profissionais é apontada como um factor que pode limitar a qualidade da resposta às vítimas, numa área em que a especialização técnica é considerada fundamental para assegurar um atendimento adequado. A importância da capacitação de técnicos tem sido igualmente destacada em iniciativas do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher e de parceiros como o UNFPA, que defendem formação contínua para reforçar a protecção das vítimas.
O relatório refere igualmente que, durante o semestre, não foram registados casos de violência sexual em vítimas com idades entre os zero e os 80 anos.
Para reforçar a resposta institucional, o GASFIG definiu dez prioridades para os próximos meses, entre as quais o fortalecimento da assistência jurídica e psicossocial às famílias, o apoio técnico aos municípios e a intensificação das campanhas de sensibilização junto de líderes comunitários e religiosos.
O plano contempla ainda a implementação dos projectos “Futuro Sem Pressa”, vocacionado para a prevenção da gravidez precoce e do casamento infantil, e “Eu Posso Me Reerguer”, destinado ao empoderamento e à autonomia das mulheres na província.