Engenheiro propõe criação de Ministério das Infra-estruturas para melhorar ordenamento do território – Correio da Kianda
O engenheiro hidráulico sanitário Francisco Lopes defendeu, esta quarta-feira, 5, a criação de um Ministério das Infra-estruturas, considerando que a medida poderá reforçar o planeamento técnico e a organização do território nacional.
Em entrevista ao programa Ponto e Vírgula, da Rádio Correio da Kianda, o especialista sustentou que Angola necessita de uma entidade com competência específica para coordenar o desenho técnico das infra-estruturas e garantir um ordenamento territorial mais eficiente.
Segundo Francisco Lopes, a responsabilidade pelo planeamento do território encontra-se actualmente repartida entre sectores como o Urbanismo e as Obras Públicas, situação que, na sua opinião, dificulta uma abordagem integrada.
“Do nosso ponto de vista técnico e científico, nós achamos que devemos criar o Ministério das Infra-estruturas”, defendeu.
O engenheiro explicou que qualquer projecto de infra-estrutura deve partir de um desenho técnico estruturado, capaz de definir a vocação de cada espaço antes da execução das obras.
“É necessário determinar quais as áreas destinadas à habitação, à indústria, ao turismo e a outras actividades, de forma a garantir um desenvolvimento organizado do território”, afirmou.
Como exemplo das consequências da ausência de um planeamento adequado, Francisco Lopes apontou a Avenida Fidel Castro, em Luanda. Segundo o especialista, a via foi concebida para cumprir uma determinada função, mas, com o crescimento urbano, as bermas passaram a acolher intensa actividade comercial, alterando a sua finalidade inicial.
Na sua avaliação, a avenida deixou de desempenhar plenamente o papel de via rápida e também não reúne condições adequadas para funcionar como corredor comercial, devido às limitações de circulação de veículos de grande porte.
Para o engenheiro, o reforço do planeamento técnico e institucional é essencial para assegurar um crescimento urbano sustentável e evitar problemas estruturais nas futuras obras públicas do país.