Especialista associa divisão da oposição a menores hipóteses de alternância em 2027 – Correio da Kianda
O analista político José Rodriguez considera que a divisão entre os partidos da oposição poderá reduzir as possibilidades de uma alternância política nas eleições gerais de 2027, defendendo maior concertação entre as forças políticas sem perda das respectivas identidades.
Em declarações ao Correio da Kianda, Rodriguez afirmou que a oposição enfrenta o desafio de encontrar uma plataforma comum para disputar o próximo pleito eleitoral, mantendo, ao mesmo tempo, a identidade e o peso histórico de cada partido.
O especialista recordou que, nas eleições de 2022, a oposição contou com a Frente Patriótica Unida, uma coligação não eleitoral integrada pela UNITA e pelo Bloco Democrático, num contexto em que o PRA-JA ainda aguardava reconhecimento do Tribunal Constitucional.
Para Rodriguez, o cenário para 2027 apresenta novas variáveis, com o surgimento do PRA-JA como partido político e limitações legais que impedem o Bloco Democrático de concorrer integrado numa coligação, sob risco de extinção.
O analista defende que a UNITA, enquanto maior partido da oposição, deve reflectir, juntamente com as formações políticas surgidas recentemente, sobre uma estratégia eleitoral capaz de aumentar a confiança dos cidadãos e fortalecer a disputa política.
Segundo José Rodriguez, uma eventual coligação que retire da UNITA a sua identidade histórica poderá criar dificuldades de reconhecimento junto dos militantes e simpatizantes do partido.
O analista entende que o principal objectivo da oposição deve ser alcançar uma alternância política pacífica nas urnas ou impedir que o MPLA obtenha uma maioria absoluta ou qualificada no Parlamento, permitindo maior equilíbrio na governação.
As declarações surgem numa altura em que o Bloco Democrático, PDP-ANA, PPA, PNSA e o Movimento Cívico MUDEI realizaram, esta quarta-feira, em Luanda, um encontro de concertação sobre os desafios políticos do país no actual contexto eleitoral.