Economista vê risco de captura do Estado na proposta da UNITA para jovens – Correio da Kianda
O economista José Macuva considera que a proposta da UNITA de canalizar parte das receitas do petróleo para os jovens comporta riscos de captura do Estado, por entender que a gestão de avultados recursos públicos exige mecanismos rigorosos de controlo e transparência.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, José Macuva afirmou que a utilização de receitas petrolíferas para financiar uma iniciativa destinada à juventude pode abrir espaço à captura do Estado, caso os recursos sejam geridos sem garantias adequadas de fiscalização.
O economista relacionou a questão com os riscos de corrupção na gestão pública, defendendo que o acesso a grandes somas de dinheiro público exige mecanismos que responsabilizem os gestores e assegurem uma aplicação transparente dos recursos.
José Macuva recorreu ao princípio económico conhecido como “tragédia dos comuns” para sustentar o seu argumento de que as pessoas podem ter menos incentivos para gerir adequadamente recursos que não lhes pertencem directamente.
Na sua perspectiva, não se deve presumir que a mudança de partido na liderança do Estado seja, por si só, uma garantia de melhor gestão dos recursos públicos, razão pela qual considera necessário olhar para os mecanismos de controlo do erário.
Por sua vez, o jurista Carlos Cabaça defendeu que o combate à corrupção deve passar pela responsabilização dos infractores, sem ignorar os exemplos de integridade existentes nas instituições públicas.
O jurista afirmou que há pessoas íntegras no seio do Governo e considerou que os cidadãos envolvidos em actos de corrupção devem ser identificados e responsabilizados, por representarem uma ameaça à sociedade.
Carlos Cabaça defendeu igualmente que o combate à corrupção não deve limitar-se à moralização dos cidadãos, sustentando que a sociedade deve exigir dos responsáveis públicos práticas de boa gestão e boa governação.
As posições foram apresentadas no debate sobre a proposta da UNITA de destinar parte das receitas petrolíferas à juventude, iniciativa que levanta questões sobre a gestão, a fiscalização e a transparência na utilização dos recursos públicos.