“Diálogo é a única via para resolver crise política na Guiné-Bissau”, defende académico – Correio da Kianda
O cientista político guineense Eurico Gonçalves defende que o diálogo franco e pacífico entre os diferentes actores políticos é o único caminho para ultrapassar a actual crise na Guiné-Bissau, alertando que as divergências não devem colocar em causa o funcionamento das instituições do Estado.
Em declarações à imprensa, o académico considerou que o actual momento de tensão política deve ser encarado como uma oportunidade para fortalecer as instituições e consolidar o Estado de Direito, evitando que os conflitos partidários condicionem o funcionamento dos órgãos de soberania.
“O conflito político não pode capturar as instituições a todo o custo. Deve ser resolvido de forma a dar robustez e sustentabilidade às próprias instituições”, afirmou Eurico Gonçalves.
Segundo o cientista político, um Estado democrático forte não é aquele que elimina todas as divergências, mas aquele que consegue criar mecanismos para gerir os conflitos de forma institucional e pacífica.
“Estado forte é aquele que consegue gerir as divergências”, sublinhou.
Eurico Gonçalves defendeu ainda que a maturidade democrática de uma sociedade mede-se pela capacidade dos seus actores políticos encontrarem soluções através do entendimento, e não pela ausência de crises.
“Não são aqueles países que nunca têm divergências, mas sim aqueles que conseguem resolver as suas divergências com base no diálogo franco e pacífico”, referiu.
Perante o actual ambiente de tensão entre diferentes actores políticos e instituições guineenses, o académico reiterou que a concertação deve prevalecer sobre a confrontação.
“A resposta única é o diálogo franco e pacífico entre os vários actores da comunidade política da Guiné-Bissau”, afirmou.
A posição do cientista político surge num contexto marcado por disputas institucionais, debates sobre o processo eleitoral e divergências entre diferentes sectores políticos do país.
Para Eurico Gonçalves, a preservação das instituições deve estar acima dos interesses imediatos dos partidos e dos seus protagonistas, de modo a garantir estabilidade e confiança no sistema democrático guineense.