Angola defende respostas mais rápidas e coordenadas aos conflitos em África – Correio da Kianda
Angola defende o reforço dos mecanismos de prevenção, gestão e resolução de conflitos em África, com respostas mais rápidas, coordenadas e capazes de antecipar as crises que ameaçam a paz e a segurança no continente.
A posição foi apresentada esta quarta-feira, 26, pelo embaixador de Angola na Etiópia, Miguel Bembe, durante conferência de imprensa sobre a 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que terá lugar no dia 30 de Agosto, em Luanda.
Segundo o diplomata, a reunião surge num contexto marcado pela persistência e crescente complexidade dos conflitos africanos, bem como pela rápida evolução das ameaças à paz e à segurança.
Miguel Bembe explicou que um diagnóstico técnico realizado pelo Conselho de Paz e Segurança da União Africana identificou três grandes factores estruturais de instabilidade: os factores políticos, associados ao défice de contrato social; os factores ligados ao nexo entre clima, tecnologia e território; e os factores geopolíticos, relacionados com a interferência externa e a disputa por recursos minerais estratégicos.
A estes desafios juntam-se, segundo o embaixador, a proliferação de grupos jihadistas transnacionais e as mudanças inconstitucionais de regimes em diferentes países africanos.
Perante este cenário, Angola defende que o continente deve abandonar uma abordagem predominantemente reactiva e adoptar uma estratégia mais proactiva e estrutural de prevenção de crises.
“A prioridade estratégica não consiste em criar novos órgãos estatutários, mas em dotar os mecanismos actuais de maior capacidade de antecipação, eficiência e execução vinculativa”, afirmou Miguel Bembe.
O embaixador considera que África já dispõe de instrumentos e instituições para responder aos conflitos, mas enfrenta dificuldades relacionadas com a fraca coordenação, o financiamento insuficiente e a subutilização política das estruturas existentes.
Entre os principais mecanismos da arquitectura africana de paz e segurança estão o Conselho de Paz e Segurança da União Africana, o Sistema Continental de Alerta Precoce e o Painel dos Sábios.
A cimeira de Luanda deverá culminar com a adopção da “Decisão de Luanda”, acompanhada por um plano de acção e uma matriz de implementação com objectivos, metas, indicadores, responsabilidades, orçamento e prazos definidos.
Para Angola, a iniciativa pretende reforçar a capacidade do continente de antecipar conflitos, melhorar a coordenação entre os mecanismos existentes e garantir respostas mais eficazes às novas ameaças à paz e à segurança.
A 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana será precedida, no dia 29 de Agosto, pela 26.ª Sessão Extraordinária do Conselho Executivo da organização.