Fazenda Mungo aposta na exportação de abacate e na produção industrial no Huambo
HUAMBO – A Fazenda Mungo, localizada no município do Mungo, província do Huambo, está a preparar a sua expansão agrícola para iniciar a exportação de abacate para o mercado internacional nos próximos anos. O plano integra uma estratégia de certificação e aumento de produção apoiada por financiamento institucional.
Com mais de mil hectares, a empresa agro-pecuária iniciou operações em 2018 e beneficiou, em 2023, de um financiamento bancário de 2,3 mil milhões de kwanzas assegurado pelo Fundo de Garantia de Crédito (FGC). A operação, concedida via Banco BAI ao abrigo do Aviso 10/2022 do Banco Central, conta com dois anos de carência e maturidade de oito anos.
Estratégia de exportação e mercado interno
Denominado Projecto Uwa, o plano de expansão aproveita a janela sazonal do Planalto Central. A colheita na região coincide com o período de menor oferta de abacate na Europa, o que confere ao produto angolano uma vantagem competitiva no mercado europeu.
Segundo o gestor da fazenda, Fernando Marques, a propriedade conta actualmente com 21 hectares de abacateiros plantados, cujas primeiras colheitas começam já em Novembro deste ano. A meta é atingir entre 95 e 100 hectares cultivados dentro de um ano, impulsionada por 15 mil mudas em viveiro para plantação ainda em 2026 e igual número adicional encomendadas para Fevereiro de 2027.
Em simultâneo, a empresa está em negociações com redes de supermercados nacionais para garantir a distribuição do fruto no mercado interno.
Processamento industrial e infra-estrutura
Para rentabilizar a produção que não atenda aos padrões estéticos do mercado de fruta fresca, entra em funcionamento ainda este ano uma unidade industrial de óleo de abacate, fruto de uma parceria entre investidores nacionais e dos Países Baixos.
Na vertente logística e operacional: Solução de frio provisória: Será inaugurada até ao final do ano no local da fazenda; Unidade de embalamento (packing house): Está projectada para a Plataforma Logística da Caála, aproveitando as infra-estruturas do Corredor do Lobito e do Porto do Lobito para o escoamento exportador; Viveiros regionais: Serão instalados na Caála ainda este ano para reduzir custos e a dependência de importação de mudas clonais.
A fazenda dispõe ainda de maquinaria própria para movimentação de terras, o que tem permitido a abertura progressiva de acessos internos e a gestão de recursos hídricos.
Desafios operacionais e impacto social
Apesar do crescimento, o gestor apontou como principais obstáculos a escassez e instabilidade de energia da rede pública, irregularidade no fornecimento de combustível, o mau estado das estradas rurais e a dificuldade de fixar mão-de-obra qualificada no meio rural.
Na fase actual, o projecto gera 30 empregos directos para trabalhadores angolanos e realiza testes agrícolas com outras culturas, incluindo café arábica, ananás e milho.