“Uso abusivo da IA pode comprometer autonomia cognitiva”, alerta psicólogo – Correio da Kianda
O uso excessivo de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) pode comprometer a autonomia cognitiva e a capacidade de pensamento crítico, sobretudo entre os jovens, alertou, esta quinta-feira, o psicólogo Amâncio Justino.
O especialista considera que a dependência crescente destas tecnologias pode levar à chamada inibição cognitiva, ao reduzir o esforço individual necessário para pesquisar, raciocinar, formular ideias e construir conhecimento.
Amâncio Justino falava no programa “Ligação Jovem”, da Rádio Correio da Kianda, que debateu o tema “Inteligência Artificial: facilidade tecnológica ou perda de autonomia?”, onde defendeu uma utilização equilibrada das ferramentas digitais.
Para o psicólogo, a Inteligência Artificial deve ser encarada como um instrumento de apoio e não como substituto da capacidade humana de pensar e tomar decisões.
A preocupação, segundo o especialista, surge quando o utilizador passa a recorrer à tecnologia para realizar tarefas que exigem reflexão própria, deixando progressivamente de exercitar competências intelectuais fundamentais.
No mesmo debate, o professor Luloloki Cavunda alertou para o risco de perda do senso crítico entre os utilizadores que recorrem de forma excessiva e indiscriminada às ferramentas de IA.
O docente defendeu, por isso, uma utilização responsável da tecnologia, de modo a aproveitar as suas potencialidades sem comprometer a capacidade de análise, questionamento e tomada de decisão dos utilizadores.
Os especialistas consideram que o desafio não está em rejeitar a Inteligência Artificial, mas em encontrar um equilíbrio entre assistência tecnológica e autonomia humana, sobretudo no processo de aprendizagem e formação dos jovens.