Unitel: ataque cibernético foi dirigido para travar entrada em Bolsa
Notícias de Angola – A UNITEL admitiu, esta quinta-feira, 30, a possibilidade de o ciberataque que paralisou os seus serviços em todo o país ter sido um acto deliberado para perturbar o processo de admissão das suas acções à Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). A revelação consta de um comunicado ao mercado, no qual a operadora afirma que a coincidência temporal entre o incidente e a véspera do início da negociação das acções é um dos principais elementos sob análise.
REDACÇÃO
Segundo a empresa, o ataque foi detectado às 02h20 do dia 28 de Julho e afectou os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional, atingindo clientes particulares e empresariais. Em contrapartida, os serviços fixos de telecomunicações suportados por fibra óptica e feixes hertzianos permaneceram operacionais, assegurando a comunicação de diversas instituições públicas e empresas.
No comunicado, a UNITEL revela que as equipas técnicas e de cibersegurança accionaram de imediato os protocolos internos de resposta e contenção, permitindo controlar o incidente e iniciar a recuperação gradual dos serviços.
A operadora informa que, desde as 11h45 do dia 29 de Julho, foi iniciada a reposição faseada dos serviços móveis de voz, dados e Internet, abrangendo parcialmente as províncias de Luanda, Bengo, Benguela, Bié, Cuando Cubango, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Icolo e Bengo, Malanje, Lunda-Norte e Namibe, estando prevista a extensão da recuperação às restantes províncias.
Suspeitas recaem sobre momento da entrada em Bolsa
O aspecto mais relevante do comunicado prende-se com a possibilidade de o ataque ter tido uma motivação financeira. A empresa afirma que “não pode deixar de notar a coincidência temporal entre o incidente e a véspera do início da negociação das Acções”, acrescentando que não exclui a hipótese de se tratar de um ataque deliberado e dirigido, com o possível objectivo de perturbar o processo de admissão dos seus títulos à negociação em Bolsa.
Embora a operadora não apresente, nesta fase, provas que confirmem essa motivação, a referência explícita à entrada da empresa no mercado de capitais introduz uma nova dimensão ao caso, sugerindo que as investigações decorrem também nessa linha.
A UNITEL salienta ainda que nunca enfrentou um incidente desta natureza e dimensão, sublinhando que dispõe de infra-estruturas de cibersegurança alinhadas com as melhores práticas internacionais, incluindo um centro de operações de segurança, planos de continuidade do negócio, mecanismos de recuperação de desastres e monitorização permanente de ameaças.
A empresa garante que continuará a manter o mercado e os investidores informados sobre quaisquer desenvolvimentos relevantes, em cumprimento das obrigações legais aplicáveis às sociedades abertas.