Surto de Ébola na RDC alastra-se para a sexta província e gera alerta regional – Correio da Kianda
O actual surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) alastrou-se para uma sexta província após o registo de uma morte na região de Bas-Uele, anteriormente não afectada. A informação foi avançada pelo director-geral dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC), Jean Kaseya, que alertou para o risco iminente de a epidemia se tornar a maior do mundo e durar mais de um ano caso não seja travada de imediato.
A vítima mortal foi registada em Buta, capital da província de Bas-Uele, após ter viajado a partir de Haut-Uele. De acordo com os dados oficiais do governo da RDC, o surto já causou 2.128 mortes num total de 4.566 casos registados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que esta epidemia está a propagar-se a um ritmo consideravelmente mais rápido do que qualquer outro surto anterior na região.
Propagação rápida e ausência de tratamentos aprovados
O surto actual teve início na província de Ituri, no nordeste do país, e já identificou infecções nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uele, Tshopo e, mais recentemente, Bas-Uele. Um dos principais desafios enfrentados pelas equipas médicas é o facto de a epidemia ser causada pela rara estirpe Bundibugyo do vírus, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos formalmente aprovados.
O Director-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que, ao ritmo actual, o surto está no caminho para superar a epidemia mais mortal da história da doença, que ocorreu há mais de uma década e vitimou mais de 11 mil pessoas. Embora o surto tenha sido formalmente declarado a 15 de Maio, as autoridades de saúde revelaram que o vírus já circulava de forma silenciosa desde Fevereiro.
Esforços científicos e ensaios clínicos em curso
Apesar da gravidade da situação, a OMS mantém a expectativa de reverter a propagação do vírus num prazo de três meses, embora sublinhe que o surto não terminará nesse período. Para combater a ameaça, foram iniciados no mês passado, em Ituri, ensaios clínicos com dois potenciais tratamentos. Adicionalmente, duas vacinas desenvolvidas especificamente para a estirpe Bundibugyo estão a ser testadas em humanos pela primeira vez.
A agência de saúde das Nações Unidas planeia ainda testar se as vacinas contra o Ébola já existentes podem oferecer protecção contra esta nova estirpe, após estudos em animais terem apresentado resultados promissores. O Ébola é uma doença grave e frequentemente fatal, altamente contagiosa através do contacto com fluidos corporais e superfícies ou materiais contaminados, como vestuário e roupa de cama.
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