Ramaphosa defende revolução industrial própria da SADC para reduzir dependência externa – Correio da Kianda
O Presidente da África do Sul e actual presidente da SADC, Cyril Ramaphosa, defendeu que os países da região devem aproveitar melhor os seus recursos minerais, agrícolas, energéticos e humanos para acelerar a industrialização e reduzir a dependência dos mercados externos.
Ao discursar numa palestra pública da SADC, em Durban, Ramaphosa apelou aos Estados-membros para transformarem os recursos disponíveis na região em produtos com maior valor acrescentado, através do reforço das cadeias de produção regionais e da eliminação das barreiras ao comércio entre os países da organização.
O líder sul-africano apontou ainda a necessidade de investir em infra-estruturas integradas e criar mecanismos de financiamento dentro da própria região, defendendo maior capacidade de produção em sectores como medicamentos, tecnologia digital e agricultura.
Ramaphosa destacou também a importância de envolver mais as mulheres e os jovens no processo de industrialização, ao mesmo tempo que pediu o reforço da paz, segurança, boa governação e capacidade de resposta às alterações climáticas.
Por sua vez, o secretário executivo da SADC, Elias Magosi, defendeu que a Visão 2050 da organização deve deixar de ser apenas um plano e produzir resultados concretos em áreas como infra-estruturas, industrialização, emprego, energia e segurança alimentar.
A palestra decorreu antes da 46.ª Cimeira da SADC de Chefes de Estado e de Governo e reuniu líderes políticos, instituições da organização, académicos, empresários, sociedade civil, autoridades tradicionais e representantes da juventude e das mulheres.
O ministro sul-africano das Relações Internacionais e Cooperação, Ronald Lamola, enquadrou o debate num cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, tensões comerciais, alterações climáticas e crescente procura pelos recursos naturais africanos.