“Quem está a destruir a FNLA são os próprios militantes”, diz analista – Correio da Kianda
O analista político Luís Victor considera que os principais problemas que afectam a FNLA são provocados pelos próprios militantes do partido, numa altura em que a formação política continua marcada por disputas internas e dificuldades de renovação da liderança.
Em declarações este domingo, 23, ao programa Círculo da Kianda da Rádio Correio da Kianda, sobre a situação interna da FNLA, Luís Victor afirmou que a crise do partido não é recente e tem-se repetido ao longo dos anos, sem que a organização consiga encontrar uma solução capaz de alterar este cenário.
“O problema da FNLA já vem do passado. Ano após ano, é sempre mais do mesmo”, afirmou o analista.
Para Luís Victor, não existem factores externos que possam ser apontados como responsáveis pela actual situação da organização. Na sua leitura, são os próprios militantes que contribuem para o enfraquecimento do partido.
“Quem está a destruir a FNLA? São os próprios militantes da FNLA”, disse, acrescentando que “não há bruxas, nem bruxos externos” a criar problemas no interior da organização.
O analista apontou a falta de renovação como uma das principais fragilidades da FNLA. Segundo Luís Victor, é difícil encontrar jovens dispostos a disputar a liderança do partido, apesar de Angola ser um país com uma população maioritariamente jovem.
“Dificilmente você encontra um jovem candidato à presidência da FNLA”, observou.
Na perspectiva do analista, a ausência de uma nova geração na disputa pela liderança levanta questões sobre a imagem que a FNLA pretende transmitir aos seus militantes, simpatizantes e potenciais apoiantes.
Luís Victor considerou legítima uma eventual candidatura do filho de Holden Roberto, fundador da FNLA, à liderança do partido, defendendo que qualquer militante com legitimidade política deve ter liberdade para apresentar a sua candidatura.
Para o analista, no entanto, a decisão sobre quem deverá dirigir a FNLA deve caber aos próprios militantes, através dos mecanismos internos do partido.
Luís Victor criticou ainda a predominância de dirigentes mais velhos nas disputas pela liderança da organização, considerando que o partido precisa de uma renovação geracional.
Ao abordar a situação de Nimi a Simbi, o analista questionou a tentativa de manutenção da liderança do partido mesmo perante a idade avançada e alegadas limitações físicas do dirigente.
Na sua avaliação, a permanência prolongada na liderança pode transformar a disputa política interna numa luta por interesses pessoais.
“Não é para servir o partido, é para servir-se do partido”, afirmou Luís Victor, ao criticar aquilo que considera ser uma utilização do partido para fins individuais.
O analista relacionou ainda a necessidade de reorganização interna com as eleições gerais de 2027. Na sua perspectiva, a FNLA terá de ultrapassar as divisões internas e apresentar uma estrutura renovada para aumentar as possibilidades de conquistar representação na Assembleia Nacional.
Luís Victor considera igualmente que o eventual aumento do número de províncias poderá ter impacto na composição da Assembleia Nacional, uma questão que, segundo afirmou, deverá ser analisada do ponto de vista jurídico e eleitoral.
Para o analista, a capacidade da FNLA de voltar a afirmar-se no cenário político angolano dependerá, em grande medida, da sua capacidade de resolver os problemas internos e promover uma verdadeira renovação da liderança.