PHA nega manobra eleitoral após reconciliação de alas em guerra há três anos – Correio da Kianda
O Partido Humanista de Angola (PHA) rejeita a ideia de que a reconciliação entre as suas diferentes alas seja uma manobra política para preparar as eleições gerais de 2027, apesar de o acordo surgir depois de mais de três anos de conflito interno.
A posição foi assumida esta segunda-feira, 24, pela Comissão Política Nacional, durante uma conferência de imprensa realizada na sede do partido, em Luanda, onde a direcção anunciou o fim das disputas internas e uma nova etapa na vida da organização.
O vice-presidente do PHA, Nsimba Luwawa, afirmou que as questões relacionadas com a destituição e suspensão de membros ficaram esclarecidas no acordo alcançado entre as partes. Segundo o dirigente, o partido pretende agora concentrar-se no futuro e nos desafios políticos que se aproximam.
Nsimba Luwawa rejeitou, entretanto, as interpretações de que a reconciliação tenha sido motivada pelos interesses eleitorais de 2027.
O dirigente defendeu que o principal objectivo do entendimento é recuperar a unidade interna e, sobretudo, reconstruir a confiança dos militantes e dos cidadãos que depositaram expectativas no partido.
“Mais vale tarde do que nunca. Nós precisávamos assumir o nosso compromisso, enquanto partido, com a nação, em especial com os militantes. Pedimos desculpas e queremos resgatar essa confiança que os cidadãos angolanos apostaram e confiaram no Partido Humanista de Angola”, afirmou.
A reconciliação política não significa, contudo, o encerramento automático dos processos judiciais que resultaram da disputa interna.
Sobre os processos-crime movidos entre as diferentes alas, o PHA afirma que a matéria continuará a ser tratada pelos órgãos competentes.
A direcção admite, no entanto, a possibilidade de se encontrar um “meio-termo” que permita a extinção ou desistência de alguns processos, incluindo o relacionado com a alegada gestão danosa imputada à presidente do partido, Florbela Malaquias.
O partido não esclareceu em que condições essa eventual desistência poderá ocorrer nem quais processos poderão ser abrangidos por um possível entendimento.
A crise que agora o PHA diz ter encerrado durou pouco mais de três anos e colocou de “costas viradas” membros da direcção liderados por Nsimba Luwawa e a liderança de Florbela Malaquias.
A disputa expôs profundas divergências internas e prolongou-se durante um período em que o partido enfrentou o desafio de consolidar a sua organização e afirmar-se no cenário político nacional.
O anúncio da reconciliação acontece, entretanto, num momento particularmente sensível para os partidos políticos angolanos, que começam a reorganizar as suas estruturas e a posicionar-se para as eleições gerais de 2027.
A coincidência temporal alimenta, por isso, o debate sobre as reais motivações dos entendimentos políticos que começam a surgir entre as forças partidárias.
O PHA procura afastar essa leitura e apresenta a reconciliação como uma decisão necessária para pôr fim à divisão interna e recuperar a confiança perdida.
O próximo desafio será transformar o acordo entre as alas numa unidade efectiva e demonstrar que o fim da crise não representa apenas uma aproximação entre dirigentes, mas o início de uma nova fase política capaz de devolver ao partido força organizativa e capacidade de intervenção junto dos eleitores.