João Lourenço e Tshisekedi anunciam avanço decisivo no Corredor do Lobito para gerar empregos e impulsionar a indústria – Correio da Kianda
Angola e a República Democrática do Congo deram um passo decisivo para a concretização do Corredor do Lobito, com a assinatura, esta quarta-feira, 26, em Kinshasa, do contrato para a reabilitação, modernização e exploração do principal troço ferroviário do corredor em território congolês.
O acordo foi formalizado pelos Presidentes João Lourenço e Félix Tshisekedi, durante uma visita de trabalho do Chefe de Estado angolano à capital congolesa. Para João Lourenço, a assinatura dos contratos permite finalmente avançar com a exploração de toda a extensão da linha férrea congolesa ligada ao chamado Caminho-de-Ferro de Benguela, considerada uma infraestrutura fundamental do Corredor do Lobito.
A empreitada foi entregue à Mota-Engil África, que ficará responsável, durante 30 anos, pela exploração, operação, modernização, reabilitação e manutenção de mais de mil quilómetros de ferrovia na República Democrática do Congo.
Ao longo do período de concessão, o investimento previsto poderá atingir 1,8 mil milhões de dólares, segundo a empresa. A intervenção pretende reforçar a capacidade ferroviária e criar condições para aumentar o transporte de mercadorias entre as regiões mineiras da RDC e o Atlântico, através do Porto do Lobito.
Para Félix Tshisekedi, o projecto deve ter um impacto que ultrapasse o simples transporte de minerais. O Presidente congolês defendeu que o Corredor do Lobito deve contribuir para a transformação e criação de valor, impulsionando actividades agrícolas e industriais no país.
Tshisekedi apontou ainda a criação de empregos, a formação dos jovens e o desenvolvimento de competências nacionais como alguns dos principais benefícios que espera retirar da implementação do projecto.
A aposta pretende, assim, transformar uma infraestrutura de transporte numa plataforma de desenvolvimento económico regional, capaz de aproximar zonas produtoras de matérias-primas dos mercados e, ao mesmo tempo, estimular actividades produtivas ao longo do corredor.
O Corredor do Lobito liga o Porto do Lobito às regiões mineiras da África Central e é considerado estratégico para o transporte de cobre, cobalto e outras mercadorias. A sua importância económica está também associada ao potencial de integração das cadeias de produção e ao aumento do comércio intra-africano.
Durante o encontro, Angola e a RDC abordaram ainda outros projectos de cooperação económica. Entre eles está a possibilidade de exploração conjunta de petróleo numa zona de interesse comum, com uma repartição dos benefícios em 50% para cada país.
Os dois Presidentes discutiram igualmente a ligação entre Soyo, em Angola, e o território da RDC, através da partilha de infraestruturas e benefícios, numa iniciativa que pretende aprofundar a integração económica entre os dois países.
A assinatura do contrato representa, deste modo, uma nova etapa na consolidação do Corredor do Lobito, que Angola e RDC pretendem transformar numa via estratégica não apenas para o escoamento de recursos minerais, mas também para a criação de emprego, desenvolvimento industrial e integração económica regional.