João Lourenço defende investimento na agricultura africana para combater a fome – Correio da Kianda
O Presidente da República, João Lourenço, defendeu esta segunda-feira, 12, em Roma, Itália, o reforço dos investimentos na agricultura africana, com transferência de tecnologia, formação de jovens e mobilização de recursos financeiros, como medidas essenciais para combater a fome e a desnutrição no continente.
Ao discursar no Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Chefe de Estado angolano considerou que África dispõe de terras aráveis, recursos hídricos e condições climáticas que podem transformar o continente num dos principais produtores mundiais de alimentos, apesar dos desafios que enfrenta no sector.
João Lourenço apontou os conflitos armados, as alterações climáticas e as limitações na formação técnica como alguns dos factores que condicionam a produção agrícola e agravam a insegurança alimentar em várias regiões do continente.
O Presidente angolano defendeu, por isso, a adopção de políticas realistas, assentes na inovação tecnológica, na valorização dos conhecimentos tradicionais e na capacitação dos produtores, com particular atenção à agricultura familiar, que classificou como a base dos sistemas de produção alimentar africanos.
No domínio nacional, João Lourenço destacou o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do País (PCESSA), orçado em 4,2 mil milhões de dólares norte-americanos, que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe.
Segundo o Presidente da República, o programa prevê a construção de albufeiras para o armazenamento de água transferida do rio Cunene e centenas de quilómetros de canais a céu aberto, com o objectivo de garantir o abastecimento de água às populações e apoiar o desenvolvimento da agricultura e da pecuária ao longo do ano.
O Chefe de Estado realçou igualmente a cooperação entre Angola e a FAO, destacando as iniciativas Hand-in-Hand e AgroCorredores como instrumentos para atrair investimentos, desenvolver o agronegócio e aumentar a competitividade da produção agrícola nacional.
Na sua intervenção, João Lourenço atribuiu também importância estratégica ao Corredor do Lobito, considerando que a infra-estrutura pode ir além do transporte de mercadorias, ao estimular a criação de indústrias, novas cadeias de valor e a ligação entre as zonas de produção e os mercados regionais e internacionais.
O Presidente defendeu que o desenvolvimento de corredores económicos, articulado com a Zona de Comércio Livre Continental Africana, pode contribuir para a integração económica do continente e ampliar as oportunidades de comercialização dos produtos agrícolas e pecuários.
Durante o discurso, João Lourenço anunciou igualmente a intenção de Angola, concertada com a União Africana, de apresentar a engenheira angolana Josefa Leonel Correia Sacko como candidata ao cargo de directora-geral da FAO.
O Chefe de Estado destacou a experiência da diplomata, que exerceu funções de secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café e de comissária da União Africana para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, entre 2017 e 2024.
João Lourenço apelou ao apoio dos participantes no Fórum à candidatura angolana, manifestando confiança na capacidade de Josefa Sacko para contribuir para a segurança alimentar mundial.
O Fórum Mundial da Alimentação de 2026 decorre sob o lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã” e reúne representantes de governos, instituições científicas, organizações internacionais, sector privado e associações juvenis para debater soluções para os desafios dos sistemas alimentares globais.