Crise energética em Cuba obriga população a viver ao ritmo dos cortes de energia – Correio da Kianda
A população cubana enfrenta uma das mais graves crises energéticas das últimas décadas, com milhões de pessoas obrigadas a reorganizar a rotina diária em função dos poucos momentos em que a electricidade regressa.
Em Havana, ter apenas 20 minutos de energia já é encarado como uma oportunidade rara, mesmo quando o fornecimento acontece durante a madrugada. Os períodos de electricidade podem durar alguns minutos ou algumas horas, sem horários definidos, obrigando as famílias a aproveitar cada instante para realizar as tarefas domésticas.
“Queremos fazer tudo ao mesmo tempo: lavar roupa, passar, cozinhar, arrumar a casa, porque é impossível no escuro, e aproveitar um pouco da frescura. O que fazíamos em dez horas, agora temos de fazer em duas”, relata Yaimara Matos, uma das residentes afectadas pelos cortes.
A crise energética agravou-se com as dificuldades no fornecimento de combustível e com as restrições económicas que afectam o país. Os apagões, que antes eram programados e tinham duração previsível, passaram a prolongar-se por 12, 30 horas ou até mais, sem qualquer aviso.
O impacto ultrapassa as residências. O transporte público, as actividades culturais e o sector do turismo, uma das principais fontes de receitas de Cuba, enfrentam fortes limitações. Empresas do sector abandonaram o país, milhares de postos de trabalho foram afectados e os cancelamentos de voos tornaram-se frequentes.
A falta de energia também agrava problemas no acesso a medicamentos e alimentos, com produtos a deteriorarem-se por falta de refrigeração adequada.
Os cortes de energia em Cuba não são recentes. Nos últimos cinco anos, a situação agravou-se devido ao envelhecimento da rede eléctrica, dificuldades económicas e restrições internacionais que afectam a capacidade de importação de combustível.
Para enfrentar a realidade, algumas famílias recorrem a pequenos geradores, painéis solares enviados por familiares no exterior, ventiladores recarregáveis e outras alternativas para reduzir os efeitos dos apagões.
Em várias localidades, incluindo Havana, moradores realizaram protestos contra cortes que ultrapassaram 48 horas, com manifestações marcadas por panelaços e reclamações contra as condições de vida.
A crise energética soma-se ainda ao aumento da inflação e à valorização do dólar, tornando mais difícil o acesso a bens essenciais e aumentando a pressão sobre as famílias cubanas.