“Crianças fora da escola contrariam metas de desenvolvimento sustentável”, alerta analista – Correio da Kianda
O elevado número de crianças que permanecem fora do sistema de ensino contraria os objectivos de desenvolvimento sustentável e compromete a preparação das futuras gerações, alertou o analista Higino Pinto, durante o programa Círculo da Kianda, da Rádio Correio da Kianda.
Para o analista, não é coerente que Angola mantenha como prioridades a diversificação da economia e o desenvolvimento sustentável enquanto um número significativo de crianças continua sem acesso à escola.
Higino Pinto considera que o acesso ao ensino deve ser encarado como uma prioridade nacional, por estar directamente ligado à formação do capital humano e à construção de uma sociedade preparada para responder aos desafios do futuro.
“Não é bom que um país como Angola, que está constantemente a falar de diversificação, desenvolvimento sustentável, um conjunto de pressupostos, não é bom que um número elevado de crianças ainda se encontrem fora do sistema de ensino.”
O analista chamou igualmente a atenção para os obstáculos que surgem no processo de inscrição, matrícula e entrada das crianças no sistema de ensino, considerando que estas dificuldades acabam por limitar o acesso de menores à educação.
A questão foi igualmente abordada pelo analista Eduardo Colo, que defendeu a melhoria das ferramentas utilizadas no processo de inscrição e matrícula.
Eduardo Colo considerou particularmente preocupante a situação de encarregados de educação que efectuaram o pagamento do RUP, mas não conseguiram concluir a validação junto das escolas. Para o analista, eventuais falhas dos adultos não devem resultar na exclusão das crianças.
Na sua perspectiva, se a educação é um direito da criança, o menor não deve ser penalizado por problemas administrativos ou falhas cometidas pelo encarregado de educação.
Eduardo Colo defende que, embora determinadas ferramentas possam continuar a ser geridas a nível central pelo Ministério da Educação, deve existir maior autonomia para as repartições e direcções municipais de educação e para os institutos médios, permitindo-lhes acompanhar e resolver directamente os processos.
Segundo o analista, a excessiva dependência de procedimentos centralizados pode dificultar a resolução de problemas nas escolas e afectar sobretudo famílias que já vivem em condições de pobreza, aumentando o risco de exclusão social.
Por sua vez, o analista Jean Pinto considerou que a permanência de crianças fora do sistema de ensino é uma realidade que exige uma mudança de abordagem.
Defendeu, por isso, a necessidade de repensar as políticas de acesso à educação, numa altura em que o país procura preparar uma sociedade capaz de responder aos desafios do futuro.
Outro problema apontado pelos analistas está relacionado com a corrupção nos processos de inscrição e matrícula.
Higino Pinto considera preocupante que práticas de corrupção continuem a ser associadas ao acesso à educação e defende que o combate ao fenómeno deve ser assumido como uma responsabilidade colectiva, começando pela formação ética e moral dentro das famílias.
Para os analistas, garantir que todas as crianças tenham acesso efectivo à escola é uma condição indispensável para o desenvolvimento sustentável, a redução da exclusão social e a construção do capital humano de que Angola necessita.