Skip to content
-
Subscribe to our newsletter & never miss our best posts. Subscribe Now!
palancasgolo
palancasgolo
  • Home
  • Aviso Legal e Remoção de Conteúdo
  • Contactar a Equipa Palancas Golo
  • Política de Privacidade
  • Sobre o Palancas Golo
  • Termos de Serviço e Condições de Uso
  • Home
  • Aviso Legal e Remoção de Conteúdo
  • Contactar a Equipa Palancas Golo
  • Política de Privacidade
  • Sobre o Palancas Golo
  • Termos de Serviço e Condições de Uso
Close

Search

  • https://www.facebook.com/
  • https://twitter.com/
  • https://t.me/
  • https://www.instagram.com/
  • https://youtube.com/
Subscribe
Sociedade

CABINDA – A SOBERANIA COMEÇA NO COFRE

By Admin
September 7, 2026 4 Min Read
0

Por que razões um povo com o subsolo forrado a dólares continua de mãos a abanar, enquanto movimentos internacionais sem território gerem impérios diplomáticos? A resposta é simples e doí: na geopolítica, a justiça não paga as contas.

Por Osvaldo Franque Buela (*)

Nos meios cabindenses, repete-se frequentemente que a luta política é uma questão de convicção. Esquece-se, demasiado depressa, que ela é, antes de mais, uma questão de recursos financeiros. Na cena internacional, a justeza de uma causa nunca é suficiente; não basta reivindicar o Tratado de Simulambuco, denunciar o Memorando do Namibe, nem gritar com força que Cabinda não é Angola.

Sem capital, sem rede de financiamento e sem controlo dos fluxos financeiros, uma reivindicação política está condenada a permanecer uma intenção abstracta. O contraste marcante entre, por exemplo, a trajectória da Diáspora Judaica mundial e o fracasso político dos separatistas de Cabinda oferece uma demonstração magistral  e cruel  desta realidade.

A história da diáspora judaica mundial desde 1936 testemunha o sucesso de uma engenharia institucional e financeira sem precedentes. Fundado para unir as comunidades perante a ameaça fascista, o Congresso Judaico Mundial não se limitou a fazer ouvir a sua voz; soube também angariar fundos apoiando-se em comunidades da diáspora perfeitamente integradas no tecido económico das democracias ocidentais, construindo uma diplomacia privada duradoura.

Graças às contribuições sistemáticas das suas organizações filiadas em mais de 100 países e ao apoio de grandes industriais, a organização dotou-se dos meios necessários à concretização das suas ambições: escritórios permanentes, juristas de alto nível e uma presença constante nas instâncias internacionais. Em suma, uma soberania financeira adquirida mesmo antes da criação de um Estado.

E Cabinda?

No outro extremo do espectáculo geopolítico, o território de Cabinda oferece o cenário trágico de um povo sentado sobre uma montanha de ouro negro, no coração de uma das florestas mais ricas do mundo, transbordando de ouro, madeira e minérios estratégicos, onde os principais responsáveis políticos desta luta estão reduzidos à mendicidade política.

Este território, encravado entre a República do Congo e a República Democrática do Congo, e anexado por Angola em 1975, gera a maior parte das receitas petrolíferas que enriquecem Angola e o regime do MPLA.

Como explicar que os cabindenses, representados antes de mais pela Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) — cujo próprio congresso em 1963 foi financiado por terceiros —, nunca tenham conseguido financiar o projecto político para a sua própria emancipação?

A resposta mais conhecida resume-se em três palavras: monopolização dos recursos pelo MPLA, divisões e isolamento.

Em primeiro lugar, as receitas petrolíferas de Cabinda beneficiam exclusivamente o Estado central angolano e as multinacionais, o que bloqueia hermeticamente o acesso a financiamentos. Em segundo lugar, o movimento autonomista caiu na armadilha clássica das lutas de egos: incapaz de se unir, a FLEC em geral fragmentou-se em facções rivais, tornando impossível a constituição de um fundo de maneio único ou de uma tesouraria coletiva.

A FLEC e as suas incontáveis facções, sem falar do FCD, transformaram a causa num jogo de xadrez onde os egos se confrontam. Sem tesouraria única, sem rigor orçamental e sem transparência, nenhum doador sério nem qualquer diáspora financiará estas querelas mesquinhas.

Por fim, a diáspora cabindense, numérica e economicamente fraca no Ocidente, nunca pôde desempenhar o papel de motor financeiro e diplomático que outros povos em busca de autodeterminação conheceram.

Luanda usou os petrodólares sacados a Cabinda para comprar o silêncio dos governos de Brazzaville e Kinshasa, asfixiando qualquer tentativa de organização no exterior.

O drama de Cabinda é o da impotência financeira perante a realpolitik. Angola, forte com os seus petrodólares captados no solo cabindense, pode financiar um exército moderno e assegurar a benevolência diplomática dos países vizinhos, enquanto os líderes das FLEC tinham de negociar a sua sobrevivência em quartos de hotel no exílio, até mesmo no interior.

Esta comparação cruel recorda uma verdade fundamental: na cena internacional, a soberania começa no cofre. Uma causa sem dinheiro é apenas um lema; uma causa financiada torna-se uma força geopolítica. Enquanto os movimentos de emancipação de Cabinda não compreenderem que a organização orçamental precede a retórica, os gigantes deste mundo continuarão a decidir o destino dos invisíveis.

Enquanto a luta cabindense for gerida com amadorismo e retórica de comunicados de imprensa e apelos diplomáticos sem qualquer acompanhamento e sem impacto no seio do povo, nem na própria causa, O MPLA, mesmo dividida, continuará a rir-se no topo dos seus petrodólares.

A história da diáspora judaica ensina-nos uma verdade dura: uma causa sem dinheiro é apenas um lamento; uma causa financiada e organizada é uma força geopolítica imparável.

Está na hora de Cabinda aprender a lição.

(*) Escritor pan-africanista, refugiado político em França



Source link

Author

Admin

Follow Me
Other Articles
Previous

Motorista é morto à facada por passageiro durante viagem para Luanda – Correio da Kianda

Next

Documentário “Latidos” sobre migração exibido a partir desta terça-feira na América Latina

No Comment! Be the first one.

Leave a Reply Cancel reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Recent Posts

  • Silêncio das famílias preocupa autoridades diante dos abusos sexuais contra crianças – Correio da Kianda
  • Minsa apura 279.785 candidatos para exames após validar mais de 17 mil reclamações – Correio da Kianda
  • Ministério da Saúde vai contratar mais profissionais através de novo concurso para órgãos centrais – Correio da Kianda
  • Documentário “Latidos” sobre migração exibido a partir desta terça-feira na América Latina
  • CABINDA – A SOBERANIA COMEÇA NO COFRE

Recent Comments

No comments to show.

Archives

  • September 2026
  • August 2026
  • July 2026
  • June 2026
  • May 2026
  • April 2026
  • March 2026
  • February 2026
  • January 2026

Categories

  • Sociedade
Copyright 2026 — palancasgolo. All rights reserved. Blogsy WordPress Theme