Angola lidera ranking da aviação civil internacional e supera média continental – Correio da Kianda
Angola ocupa neste momento a quarta posição no ranking africano da aviação civil internacional, superando desta forma, a média continental e mundial da ICAO.
O ministro dos Transportes Ricardo d´Abreu, disse que este marco, alcançado em 2025 reforça o posicionamento internacional da aviação civil angolana e traduz a confiança da Organização da Aviação Civil Internacional no processo de transformação, modernização e alinhamento do sector com os mais elevados padrões internacionais.
O governante que falava nesta terça-feira, 21, em Luanda, na abertura da 3.ª ICAO Global Aviation Gender Summit, sublinhou que o país alcançou, na auditoria internacional realizada pela ICAO em 2025, um índice de 83,14% de Implementação Efectiva, face aos 46,85% registados em 2017, superando a média africana, de 66,7%, e a média mundial, de 72,01%. Com este resultado, Angola passou a ocupar a quarta posição entre os Estados da Região Africana da ICAO.
Ricardo Viegas D’Abreu considerou que estes resultados demonstram uma transformação estrutural do sistema nacional de supervisão da aviação civil e reflectem o trabalho realizado ao nível da regulação, da segurança, da modernização institucional e da qualificação dos recursos humanos.
“Hoje, apresentamo-nos perante esta comunidade internacional com uma realidade profundamente diferente. Este reconhecimento não constitui um ponto de chegada, mas um incentivo para continuarmos a elevar os nossos padrões de desempenho”, afirmou.
O ministro dos Transportes acrescentou ainda que a realização da Cimeira em Luanda representa uma nova etapa na relação entre Angola e a ICAO, assente no reforço de capacidades, na elevação dos padrões de desempenho e na construção de uma visão integrada para o desenvolvimento sustentável do sector.
Esta cooperação inclui o acordo celebrado entre a ANAC e a ICAO para o desenvolvimento do Plano Director da Aviação Civil de Angola, com um investimento de um milhão de dólares, e a parceria para a implementação no País da estratégia Next Generation of Aviation Professionals, destinada a apoiar a formação, a capacitação e a criação de oportunidades para a próxima geração de profissionais da aviação.
O governante defendeu que a igualdade de oportunidades deve ser entendida não apenas como uma política social, mas também como uma política de competitividade, num sector que necessita de mobilizar todo o talento disponível para responder às exigências da segurança, da inovação tecnológica, da sustentabilidade e da transformação digital.
“Os países que melhor souberem atrair, formar e desenvolver talento serão também aqueles que construirão sistemas de transporte mais eficientes, economias mais competitivas e instituições mais credíveis”, sublinhou Ricardo Viegas D’Abreu. A aviação civil angolana emprega actualmente mais de 8.300 profissionais, dos quais 28,5% são mulheres. Os dados do primeiro Diagnóstico Nacional sobre o Género na Aviação Civil Angolana indicam ainda que as mulheres ocupam 35,7% dos cargos de liderança no sector. Apesar da evolução registada, Angola reconhece que permanecem desafios importantes em áreas técnicas e operacionais, nomeadamente na pilotagem, engenharia aeronáutica, manutenção de aeronaves, navegação aérea, inspecção e investigação.
Por sua vez, a Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional da Aviação Civil, Amélia Kuvíngua, afirmou que o diagnóstico permitirá definir políticas orientadas por evidência, estabelecer metas realistas e acompanhar de forma sistemática os progressos alcançados na participação feminina. “A aviação não pode desperdiçar talento. E o talento não conhece género. Conhece competência, mérito, dedicação e capacidade de realização”, afirmou Amélia Kuvíngua.
Segundo a Presidente da ANAC, a escolha de Angola para acolher a terceira edição da Cimeira constitui um sinal de confiança da ICAO no percurso realizado pelo País e no compromisso assumido com uma aviação cada vez mais segura, moderna, sustentável e inclusiva. Amélia Kuvíngua defendeu ainda que uma maior diversidade no sector contribui para melhorar a qualidade das decisões, estimular a inovação, reforçar a competitividade das organizações e preparar a aviação civil para os desafios do futuro.
Na sua intervenção, o Secretário-Geral da ICAO, Juan Carlos Salazar, reconheceu o papel de Angola na aviação civil internacional e considerou que a organização da Cimeira reflecte a liderança do País, a sua visão para o sector e a confiança da comunidade da aviação na sua capacidade para contribuir para o desenvolvimento da indústria a nível regional e mundial.
Juan Carlos Salazar salientou que uma participação mais ampla das mulheres, incluindo nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia, matemática e nos espaços de decisão, favorece a inovação, melhora a capacidade de resolução de problemas e contribui para resultados mais sustentáveis.
O Secretário-Geral da ICAO apelou à transformação dos compromissos assumidos em medidas concretas e mensuráveis, através da educação, da formação, da criação de percursos profissionais, da recolha de dados, da partilha de boas práticas e da responsabilização das instituições pelos resultados alcançados.