Angola emprega 10 milhões de pessoas, mas desemprego sobe para 21,5% – Correio da Kianda
Angola tinha, no segundo trimestre de 2026, cerca de 10 milhões de pessoas empregadas com 15 ou mais anos, mas a taxa de desemprego voltou a subir, passando de 21,3% no trimestre anterior para 21,5%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
A taxa de emprego registou uma evolução positiva no período, ao passar de 42,3% para 44,2%. Apesar disso, os indicadores continuam a revelar fortes diferenças entre homens e mulheres e entre as zonas urbana e rural.
Entre os homens, a taxa de emprego situou-se em 47%, acima dos 41,6% registados entre as mulheres. Nas áreas urbanas, o indicador atingiu 48,2%, enquanto nas zonas rurais ficou pelos 35,6%.
Os jovens continuam a enfrentar as maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Entre a população dos 15 aos 24 anos, a taxa de emprego foi de apenas 21,9%, enquanto a taxa de desemprego atingiu 40,5%.
No período em análise, a população em idade activa, correspondente às pessoas com 15 ou mais anos, foi estimada em mais de 23 milhões de pessoas. Deste universo, cerca de 12 milhões integravam a força de trabalho.
A população desempregada chegou a 2.790.821 pessoas, um aumento de 7,6% em relação ao trimestre anterior, contribuindo para a subida da taxa geral de desemprego.
Quanto aos sectores de actividade, os dados indicam que 63,6% da população empregada trabalhava em negócios privados não agrícolas, 23,4% estava ligada a explorações agrícolas e 9,5% trabalhava no sector público, incluindo o Governo e empresas estatais.
O presidente do Conselho de Administração do INE, Joel Futi, explicou que uma parcela da população em idade activa permanece fora da força de trabalho por não estar disponível ou não procurar activamente emprego.
Entre as razões apontadas estão a procura por empregos considerados de maior qualidade e a rejeição de postos de trabalho com salários considerados baixos.
Os dados revelam, assim, um mercado de trabalho que, apesar do aumento da taxa de emprego, continua marcado pelo desemprego elevado, sobretudo entre os jovens, desigualdades de género e diferenças significativas entre o meio urbano e rural.