ANASO pede mais investimento para travar malária, tuberculose e VIH/SIDA – Correio da Kianda
A Rede Angolana das Organizações de Serviços de VIH/SIDA, Tuberculose e Malária (ANASO) defende o reforço do investimento no sector da saúde para melhorar a prevenção e o combate às principais endemias que afectam a população angolana.
O apelo foi feito pelo presidente da ANASO, António Coelho, por ocasião dos 32 anos de existência da organização, assinalados esta quinta-feira.
Segundo o responsável, as limitações de financiamento constituem um dos principais obstáculos à capacidade da instituição para reforçar a resposta à malária, tuberculose e VIH/SIDA.
António Coelho considera igualmente prioritária a aprovação da Política Nacional de Saúde Comunitária, por entender que a medida poderá melhorar o acesso das populações mais vulneráveis aos serviços de saúde.
Ao abordar o perfil epidemiológico do país, o presidente da ANASO destacou a malária como uma das principais preocupações de saúde pública em Angola.
De acordo com os dados apresentados, a doença representa 29 por cento da procura de cuidados de saúde e está associada a 45 por cento das mortes registadas entre crianças menores de cinco anos.
A tuberculose constitui igualmente um desafio. António Coelho apontou uma taxa de incidência de 200,6 casos por 100 mil habitantes, colocando Angola entre os países mais afectados pela doença a nível mundial.
Em relação ao VIH/SIDA, o responsável referiu que, apesar da prevalência estimada em 2 por cento, a doença continua entre as preocupações sanitárias do país.
O problema, segundo António Coelho, não se limita à questão clínica, uma vez que as pessoas que vivem com VIH continuam a enfrentar estigma e discriminação, factores que podem dificultar o acesso aos serviços de saúde e a adesão ao tratamento.
Perante este cenário, a ANASO considera necessário aumentar os recursos destinados à saúde e fortalecer as políticas de prevenção e assistência, sobretudo junto das comunidades mais vulneráveis.
António Coelho defende que um maior investimento permitirá uma resposta mais rápida e eficaz às principais endemias e contribuirá para reduzir o impacto da malária, tuberculose e VIH/SIDA na população.
O responsável lamentou ainda que, apesar dos 32 anos de intervenção social, a ANASO continue sem o estatuto de instituição de utilidade pública, apesar do trabalho desenvolvido na área da saúde e no apoio às populações afectadas pelas principais endemias.