Forças políticas sudanesas rejeitam diálogo de Burhan e exigem fim da guerra – Correio da Kianda
Forças políticas e organizações da sociedade civil do Sudão, contrárias à guerra, rejeitaram o diálogo nacional proposto pelo general Abdel Fattah al-Burhan, durante uma reunião realizada em Adis Abeba, na Etiópia.
Os participantes afirmam que não vão participar nem reconhecer os resultados da iniciativa, por considerarem que não pode conduzir à paz enquanto os combates continuarem no país.
Os grupos criticam igualmente a exclusão das Forças de Apoio Rápido, lideradas pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, considerando que qualquer processo de paz credível deve envolver as principais partes envolvidas no conflito.
O antigo primeiro-ministro sudanês Abdalla Hamdok reforçou a posição, defendendo que nenhum processo de paz poderá ser credível sem o fim dos confrontos armados.
Durante o encontro, os participantes acusaram ainda Burhan de pretender utilizar o diálogo nacional para legitimar a sua autoridade, após o golpe militar de 2021.
Os grupos alertaram também que a iniciativa, nos moldes propostos pelas autoridades, poderá aprofundar as divisões políticas e sociais existentes no Sudão, em vez de contribuir para uma solução negociada para o conflito.
A reunião em Adis Abeba juntou representantes de diferentes forças políticas e organizações da sociedade civil sudanesa, incluindo membros do Partido do Congresso Nacional, do movimento Umma e da coligação pela paz Summud.
A guerra no Sudão, que opõe o Exército liderado por Burhan às Forças de Apoio Rápido de Hemedti, mantém o país mergulhado numa grave crise humanitária e política.