João Lourenço desloca-se à RDC enquanto avança missão de verificação do cessar-fogo – Correio da Kianda
O Presidente da República, João Lourenço, desloca-se esta terça-feira, 25, à República Democrática do Congo, segundo apurou o Correio da Kianda.
A deslocação do Chefe de Estado angolano acontece numa altura particularmente sensível para o processo de paz no leste da RDC, onde uma missão de verificação do cessar-fogo entre o Exército congolês e os rebeldes do M23 iniciou, esta segunda-feira, trabalhos no terreno.
A viagem ocorre, entretanto, quando Kinshasa e o M23 procuram dar novos passos para a implementação de um roteiro de paz, depois de a Suíça anunciar, no domingo, que as duas partes chegaram a um entendimento nesse sentido.
A nova missão de verificação reúne representantes do Governo congolês e do M23, além de observadores dos países membros da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, CIRGL. A equipa deslocou-se em helicópteros das Nações Unidas para Minembwe, no Kivu do Sul, uma das zonas afectadas pelos confrontos.
Os verificadores deverão passar também por Uvira, de onde o M23 se retirou em Janeiro, e por Kalehe, onde foram registados novos combates nas últimas semanas.
A iniciativa procura verificar eventuais violações do cessar-fogo e avaliar, no terreno, o cumprimento dos compromissos assumidos pelas partes.
A deslocação de João Lourenço acontece ainda num contexto em que Angola tem um histórico directo de envolvimento na mediação da crise congolesa, através do Processo de Luanda, que procurou aproximar Kinshasa e Kigali e criar condições para uma solução política para o conflito.
O papel de Luanda ganhou novos contornos depois de sucessivos esforços internacionais, incluindo os processos conduzidos pelos Estados Unidos e pelo Qatar. Em Janeiro deste ano, o Presidente Félix Tshisekedi esteve em Luanda para contactos com João Lourenço sobre a situação no leste da RDC, numa altura em que procurava recuperar o envolvimento do Presidente angolano nos esforços de paz.
A crise permanece, contudo, longe de estar resolvida. Os combates entre as forças governamentais e o M23 continuaram apesar de diferentes acordos e iniciativas diplomáticas, enquanto Kinshasa mantém a acusação de que o movimento rebelde beneficia do apoio do Ruanda, alegação rejeitada por Kigali.