Mau estado das estradas e falta de fiscalização preocupam especialistas em Angola – Correio da Kianda
O mau estado das estradas nacionais e as fragilidades na fiscalização rodoviária estão entre os principais factores que preocupam especialistas que analisaram, este sábado, os elevados níveis de sinistralidade em Angola.
As preocupações foram manifestadas durante o programa Tribuna Livre, da Rádio Correio da Kianda, que reuniu especialistas para discutir as causas e consequências dos recentes acidentes rodoviários registados no país.
O especialista David Mendes apontou as condições das estradas como um dos principais factores de risco, destacando a má qualidade do pavimento, a falta de iluminação e a existência de buracos, além da circulação de veículos em deficiente estado de conservação.
Para David Mendes, o problema é agravado pela circulação de motociclistas sem formação adequada. Segundo o especialista, muitos aprendem a conduzir de maneira informal e passam directamente para as estradas asfaltadas, aumentando os riscos de acidentes.
O especialista defendeu, por isso, maior intervenção do Estado na fiscalização e no cumprimento das normas de trânsito, considerando que o enfraquecimento das regras tem contribuído para o agravamento da situação.
Na mesma linha, o político Alexandre Sebastião considerou que o mau estado das estradas nacionais contribui para o aumento dos acidentes, sobretudo pela existência de buracos e pela falta de condições adequadas de circulação.
Segundo Alexandre Sebastião, a situação é particularmente preocupante nas vias que ligam Luanda ao interior do país, mas também afecta a circulação dentro das próprias cidades.
Para o jurista Luís Van-Dúnem, a recuperação das estradas nacionais deve constituir uma prioridade do Estado. O especialista defendeu que a melhoria das vias de comunicação deve merecer atenção equivalente a outros investimentos estruturantes do país.
Luís Van-Dúnem considerou fundamental garantir estradas em melhores condições para facilitar a circulação de pessoas e bens entre as diferentes províncias e Luanda, principal centro político e económico de Angola.
Além da recuperação das vias, os especialistas defenderam o reforço da fiscalização sobre condutores, motociclistas e veículos, bem como uma maior aposta na formação e educação rodoviária.
Dados oficiais divulgados em Abril pelo Governo mostram que a sinistralidade rodoviária continua preocupante. O Conselho Nacional de Viação e Ordenamento do Trânsito registou 1.558 mortes no período analisado, mais 125 vítimas mortais do que no período homólogo.
As autoridades identificaram, entre as principais causas dos acidentes, o excesso de velocidade, a fadiga, a sonolência e o não uso do cinto de segurança. O Governo anunciou igualmente o reforço da fiscalização nas estradas nacionais e no casco urbano, além da criação de centros de inspecção de veículos e do reforço da educação rodoviária.
A Agência Nacional dos Transportes Terrestres também anunciou o reforço da fiscalização dos operadores de transporte rodoviário regular de passageiros, defendendo uma fiscalização integrada e contínua para melhorar a segurança nas estradas.
Para Almeida Pinto, a discussão sobre os acidentes deve considerar não apenas as vítimas, mas também os impactos sociais e económicos provocados pelos sinistros. Segundo o especialista, as consequências atingem directamente as famílias e as empresas.
Já o cientista político Eurico Gonçalves defendeu uma abordagem preventiva, considerando que os acidentes resultam de uma cadeia de factores que começa muito antes da colisão.
Para o especialista, a prevenção deve incluir a preparação técnica das viaturas, a formação dos condutores, a avaliação das condições das estradas e uma fiscalização permanente.
Eurico Gonçalves defendeu ainda uma mudança de abordagem, para que a segurança rodoviária deixe de ser tratada apenas como uma resposta depois dos acidentes e passe a integrar uma cultura permanente de prevenção.
Os especialistas convergiram, assim, na necessidade de melhorar as condições das estradas, reforçar a fiscalização e apostar na formação dos utentes das vias como medidas essenciais para reduzir a sinistralidade rodoviária em Angola.