“Gestão local da saúde depende de recursos e capacidade administrativa”, dizem especialistas – Correio da Kianda
A gestão municipal dos serviços de saúde em Angola depende do reforço dos recursos financeiros, humanos e da capacidade administrativa das estruturas locais, defenderam especialistas durante o debate sobre os desafios da municipalização da saúde, no programa Capital Central, da Rádio Correio da Kianda.
O especialista em Gestão e Administração Pública, Denílson Duro, considerou que factores como a inflação e a actual conjuntura económica têm condicionado a capacidade financeira das administrações municipais para responder plenamente às necessidades do sector.
Segundo o responsável, a descentralização das competências deve ser acompanhada de meios adequados para garantir que os municípios consigam assegurar o funcionamento eficiente dos serviços públicos.
Já o especialista em Saúde Pública e Gestão Hospitalar, Jeremias Agostinho, explicou que, apesar do processo de descentralização, o Ministério da Saúde continua a manter a responsabilidade metodológica sobre as unidades que integram o Serviço Nacional de Saúde.
O administrador municipal do Camucuio, Manuel Canivete, destacou que a transferência gradual de competências tem permitido uma maior aproximação dos serviços às comunidades. O responsável informou que o município dispõe actualmente de 14 unidades sanitárias, incluindo um hospital municipal, dois centros de saúde nas comunas do Mamo e Chingo, além de postos de saúde distribuídos pelas localidades.
Manuel Canivete acrescentou que, nas áreas onde ainda não existem unidades sanitárias, são realizadas consultas ambulatórias periódicas para garantir assistência médica e medicamentosa às populações.
Os intervenientes defenderam que a municipalização da saúde pode contribuir para melhorar o acesso aos cuidados médicos, desde que seja acompanhada por investimentos, formação de quadros e maior capacidade de gestão ao nível local.