Novo Palácio de Convenções expõe divergências na UNITA: presidente questiona, vice-presidente apoia – Correio da Kianda
A recente inauguração do novo Palácio de Convenções da Chicala, em Luanda, expôs visões distintas no seio da UNITA sobre a utilidade e as prioridades do investimento público em Angola. O debate interno opõe o presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, que critica o elevado custo da obra, à vice-presidente, Arleth Chimbinda, que defende o empreendimento como um passo importante para o desenvolvimento nacional.
Em declarações à Rádio Nacional de Angola, à margem da cerimónia de inauguração presidida pelo Presidente da República, João Lourenço, Arleth Chimbinda considerou a infra-estrutura um reflexo do esforço do Estado no desenvolvimento do país. A dirigente partidária sublinhou que o novo espaço demonstra capacidade para acolher grandes eventos e promover o turismo, subscrevendo o apelo do Chefe de Estado para uma maior participação do sector privado no investimento hoteleiro. Contudo, a vice-presidente também defendeu a necessidade de reforçar a aposta na reabilitação de estradas para garantir o sucesso das estratégias turísticas.
Em sentido oposto, o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, questionou a prioridade dada ao projecto de 316,8 milhões de dólares. Num posicionamento sob o título “316 milhões de dólares: o que nós faríamos diferente”, o político argumentou que a verba deveria ter sido canalizada para sectores com impacto directo na qualidade de vida das populações. Embora tenha esclarecido que o partido não se opõe à construção de infra-estruturas, defendeu que o desenvolvimento do país deve assentar em investimentos geradores de emprego, produção e riqueza.
Para fundamentar a sua posição, Adalberto Costa Júnior apresentou uma proposta alternativa de distribuição do montante investido. O plano sugere a alocação de 70 milhões de dólares para a educação, com foco na reabilitação de escolas e formação de professores, e 35 milhões de dólares para o sector da saúde. A agricultura e a agro-indústria receberiam 50 milhões de dólares, enquanto 35 milhões seriam destinados ao financiamento de jovens empreendedores e pequenas empresas. A proposta prevê ainda verbas para formação tecnológica, infra-estruturas de água e energia, e a maior fatia, de 75 milhões de dólares, para projectos de refinação modular de petróleo.
Este contraste de posições coloca em evidência duas formas distintas de avaliar a aplicação dos recursos do Estado na UNITA. Enquanto a vice-presidente valoriza o potencial estratégico da nova infra-estrutura para a projecção internacional do país, o presidente do partido prioriza o investimento imediato no desenvolvimento humano e social, trazendo para a esfera pública uma discussão profunda sobre as reais prioridades do Orçamento Geral do Estado.
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