Sociólogo questiona qualidade do ensino superior em instituições com turmas superlotadas – Correio da Kianda
O sociólogo Agostinho Paulo questiona a qualidade do ensino superior em Angola, face à existência de turmas com centenas de estudantes em várias instituições do país.
O especialista considera preocupante que algumas salas de aula cheguem a concentrar entre 300 e 400 estudantes, sobretudo quando as instituições não dispõem de condições adequadas para garantir um ensino de qualidade.
“Não é compreensível que, num primeiro ano da faculdade, se tenha numa sala de conferências 300 a 400 estudantes a terem aulas, sem condições prévias”, afirmou Agostinho Paulo.
Para o sociólogo, a sobrelotação dificulta o acompanhamento dos estudantes pelos professores e pode comprometer o processo de ensino e aprendizagem.
Agostinho Paulo defende, por isso, maior rigor nos exames de acesso ao ensino superior, principalmente nos cursos considerados estratégicos para o desenvolvimento do país.
Na sua perspectiva, a entrada de estudantes nas instituições deve estar de acordo com a capacidade de cada estabelecimento, evitando a formação de turmas que ultrapassem as condições disponíveis.
O sociólogo critica igualmente a existência de instituições de ensino superior que, apesar de não reunirem condições suficientes para garantir uma formação de qualidade, continuam a funcionar por interesses comerciais.
Para Agostinho Paulo, o crescimento do número de estudantes no ensino superior deve ser acompanhado pela melhoria das infra-estruturas, do corpo docente e das condições de aprendizagem, sob pena de o aumento do acesso acontecer à custa da qualidade da formação.