Mais de sete em cada dez trabalhadores estão na informalidade em Angola – Correio da Kianda
Mais de sete em cada dez pessoas empregadas em Angola estão na informalidade, uma realidade que expõe os desafios do país na criação de empregos formais, estáveis e com acesso à protecção social.
Os dados foram apresentados esta terça-feira, 11, pela ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, durante um workshop promovido pela Assembleia Nacional sobre o primeiro emprego e a empregabilidade juvenil.
Segundo a governante, 77,7% da população empregada encontrava-se na informalidade em 2025, enquanto a taxa de desemprego da população com 18 ou mais anos situou-se em 24,3%.
Os números colocam em evidência a dimensão dos problemas estruturais do mercado de trabalho angolano, particularmente entre os jovens, num país cuja população é maioritariamente jovem e que conta com cerca de 14,2 milhões de jovens.
A elevada informalidade significa que a maioria das pessoas que consegue encontrar uma ocupação económica permanece fora do mercado formal de trabalho, situação que levanta questões sobre estabilidade laboral, rendimento, protecção social e perspectivas de progressão profissional.
O cenário ganha maior relevância perante o desafio do primeiro emprego. Para muitos jovens, a entrada no mercado de trabalho ocorre através de actividades informais, muitas vezes sem contratos de trabalho, contribuições regulares para a segurança social ou garantias associadas ao emprego formal.
Teresa Rodrigues Dias defendeu que a empregabilidade começa na formação e advertiu que as mudanças provocadas pela inteligência artificial, automação e economia verde estão a alterar rapidamente as competências exigidas pelo mercado.
A ministra considerou que o primeiro emprego constitui um desafio colectivo, que exige a participação do Estado, empresas, instituições de ensino e sociedade.
A preocupação com o desemprego e a informalidade foi igualmente destacada pelo ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, que apontou a formação, o empreendedorismo e a criação de empregos dignos e formais como prioridades para transformar o potencial da juventude em desenvolvimento sustentável.
O director do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP), Manuel Mbuangalanga Mbangui, abordou igualmente os desafios relacionados com a capacitação e qualificação profissional dos jovens.
O quadro apresentado no Parlamento mostra, assim, que o desafio de Angola não está apenas em criar mais empregos, mas também em transformar uma parcela significativa das actuais ocupações informais em empregos formais, sustentáveis e capazes de garantir maior segurança económica aos trabalhadores.
Com 77,7% da população empregada na informalidade, a formalização do mercado de trabalho surge como uma das questões centrais para as políticas públicas de emprego, sobretudo perante o crescimento de uma população jovem que procura oportunidades de inserção económica.