POLÍCIA DO MPLA JUSTIFICA O INJUSTIFICÁVL
A polícia do MPLA, que deveria ser de Angola, disse hoje que usou força moderada, meios não letais, para dispersar manifestantes, do partido UNITA, que, no sábado, se juntaram na província do Uíje para realizarem um acto político, não havendo danos humanos graves.
Numa nota de imprensa, a Polícia Nacional (do MPLA) disse que tomou conhecimento, com preocupação, dos actos de desacato à autoridade pública registados no Uíje, “em que as forças da ordem tiveram de recorrer ao uso da força para repor a ordem e tranquilidade públicas”.
Segundo a polícia, os factos ocorreram após as autoridades administrativas locais terem orientado a alteração do local onde o partido União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) pretendia realizar um acto político de massas.
“Os organizadores não acataram a orientação e concentraram-se nas proximidades do Tribunal da Relação do Uíje, com pretensão de realizar o acto político de massas, local proibido por lei”, lê-se na nota. Nestes locais só é permitido qualquer acto político se for de apoio ao MPLA, partido no Poder há 50 anos.
A polícia vincou que face ao incumprimento “procedeu à dispersão dos manifestantes, utilizando força moderada e meios não letais”.
“Não se registaram danos humanos graves. Houve apenas ferimentos ligeiros por escoriação num cidadão manifestante e em três efectivos da Polícia Nacional, em consequência de arremesso e objetos contundentes”, destaca-se no documento.
De acordo com a nota, o Comando Geral da Polícia Nacional de Angola acompanha a evolução da situação de segurança pública na província do Uíje, repudia os actos de desacato e desobediência às autoridades e apela aos cidadãos de partidos políticos para o estrito cumprimento da lei e o respeito pelas instituições.
No sábado, a Polícia Nacional cercou a sede provincial da UNITA, para impedir um acto político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador do partido, Jonas Savimbi.
Em declarações públicas, o secretário-geral da JURA, organização juvenil do partido, Nelito Ekuikui, disse que pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, 10 com gravidade, na sequência da intervenção da polícia junto à sede da UNITA no Uíje.