Saída de trabalhadores migrantes agrava crise na indústria têxtil sul-africana – Correio da Kianda
A saída de trabalhadores migrantes, na sequência dos protestos contra a imigração na África do Sul, está a agravar a crise na indústria têxtil de Newcastle, na província de KwaZulu-Natal, onde várias fábricas enfrentam dificuldades para substituir mão de obra especializada e admitem o risco de encerramento.
Nas unidades fabris da cidade, dezenas de máquinas de costura permanecem paradas após o êxodo de trabalhadores estrangeiros, motivado por uma campanha promovida nos últimos meses por grupos anti-imigração.
Em declarações à Reuters, empresários do sector revelaram que entre 12% e 19% da força de trabalho abandonou os postos durante os protestos. Muitos dos trabalhadores eram oriundos de Essuatíni e Lesoto e desempenhavam funções que exigem conhecimentos técnicos na indústria do vestuário.
Os protestos foram organizados por grupos de vigilantes ligados ao movimento March and March, que responsabiliza os trabalhadores estrangeiros pelo elevado desemprego no país. O movimento estabeleceu como prazo o dia 30 de Junho para a saída de migrantes em situação irregular, levando muitos estrangeiros a abandonar voluntariamente os seus empregos.
Os industriais sustentam que a maioria dos seus funcionários é sul-africana e afirmam que a escassez de mão de obra resulta da falta de candidatos dispostos a aceitar estes empregos, e não de uma preferência por trabalhadores estrangeiros.
Já os sindicatos defendem que os baixos salários são o principal factor que dificulta o recrutamento de cidadãos sul-africanos.
O sector têxtil de Newcastle, que emprega cerca de 15 mil pessoas e é maioritariamente controlado por empresários chineses radicados há vários anos no país, atravessa também um período de dificuldades após inspecções laborais terem identificado irregularidades, provocando uma redução das encomendas.
Considerada estratégica pelas autoridades sul-africanas para reduzir a dependência das importações de vestuário, a indústria enfrenta agora um cenário de incerteza, com vários fabricantes a alertarem para o eventual encerramento de fábricas nos próximos meses.