Atraso de salários ameaça combate ao Ébola na RDC – Correio da Kianda
Profissionais de saúde envolvidos no combate ao surto de ébola no leste da República Democrática do Congo (RDC) denunciam atrasos de vários meses no pagamento dos salários, situação que já provocou greves e levanta preocupações sobre a continuidade das operações de resposta à doença.
Os trabalhadores afirmam que continuam a desempenhar funções de elevado risco, apesar de não receberem a remuneração acordada. Segundo os profissionais, a paralisação das actividades teve início em Julho, após sucessivas reclamações às autoridades sobre os salários em atraso e as condições de trabalho não terem obtido resposta.
Entre os afectados está Wiza Bondele, membro da equipa de prevenção e controlo da infecção por ébola, que também participou na resposta ao surto de 2018. O profissional trabalha na desinfecção de residências onde foram registadas mortes provocadas pela doença, uma das medidas consideradas essenciais para travar a propagação do vírus.
De acordo com Bondele, alguns trabalhadores receberam apenas 380 dólares, apesar de lhes terem sido prometidos 510 dólares, enquanto muitos outros continuam sem receber qualquer pagamento.
A crise salarial acontece numa altura em que os casos de ébola continuam a aumentar na região, alimentando receios de que a escassez de profissionais e as paralisações possam comprometer os esforços das autoridades sanitárias para controlar o surto e evitar novas cadeias de transmissão.