Especialistas apontam dificuldades económicas como motor do câmbio ilegal em Angola – Correio da Kianda
As dificuldades económicas continuam a ser apontadas como o principal factor que sustenta a persistência do mercado cambial informal em Angola, num contexto marcado pelo elevado desemprego, escassez de oportunidades no sector formal e dependência de actividades informais para garantir o sustento de milhares de famílias.
A posição foi defendida esta quarta-feira, 5, pelos comentadores do programa Informativo Capital Central, da Rádio Correio da Kianda, durante uma análise sobre os desafios do combate ao câmbio ilegal em Angola.
O economista e empresário Celestino Lumbungululu afirmou que a permanência do câmbio ilegal está directamente relacionada com as dificuldades socioeconómicas enfrentadas pelos angolanos, sobretudo pelos jovens que continuam sem acesso ao mercado formal de trabalho.
“Enquanto persistirem estas dificuldades, o mercado informal continuará a existir”, afirmou.
Segundo o economista, muitos cidadãos encontram na venda informal de divisas uma alternativa de sobrevivência, situação que, além de reflectir as fragilidades da economia nacional, dificulta o crescimento do sector formal e reduz a capacidade do Estado de arrecadar receitas fiscais.
Por sua vez, o director do Centro de Investigação Económica da Universidade Lusíada, Heitor Carvalho, considerou que, apesar da continuidade do mercado paralelo, os dados apontam para uma maior influência do mercado formal sobre as taxas praticadas pelas kinguilas.
O especialista explicou que os estudos da instituição mostram uma redução da diferença entre as taxas dos bancos comerciais e as praticadas no mercado informal, sinal de uma crescente aproximação entre ambos os mercados.
“Há hoje uma maior aproximação entre as taxas do mercado formal e informal”, destacou Heitor Carvalho.
Ainda assim, os especialistas consideram que a eliminação do câmbio ilegal dependerá não apenas de medidas monetárias, mas também da criação de emprego, do fortalecimento da economia formal e da melhoria das condições de vida da população.