Surto de Ébola na RDC desafia resposta sanitária após mais de 1.700 mortes – Correio da Kianda
A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta um agravamento do surto de Ébola, com mais de 1.700 mortes registadas em apenas 14 semanas, uma situação que aumenta a preocupação das autoridades sanitárias africanas.
Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) alertam que a resposta ao surto está abaixo do necessário e defendem uma mudança de estratégia para conter a propagação do vírus.
O director-geral do organismo, Jean Kaseya, afirmou que o actual modelo de rastreamento de contactos já não consegue travar eficazmente a transmissão, uma vez que um número significativo de novos casos está a surgir fora das listas de pessoas acompanhadas pelas autoridades.
Durante uma visita à cidade de Bunia, na província do Ituri, Kaseya revelou que cerca de 70% das novas infecções estão a ser identificadas fora dos contactos previamente monitorados, um cenário que evidencia uma transmissão comunitária mais ampla da doença.
Segundo o responsável, a situação exige o reforço das medidas de vigilância epidemiológica, da identificação de novos casos e da capacidade de resposta das equipas de saúde para evitar que o surto continue a expandir-se.
As autoridades sanitárias africanas defendem uma abordagem mais abrangente, com maior envolvimento das comunidades e reforço dos mecanismos de prevenção, numa altura em que a RDC continua a enfrentar desafios para controlar a circulação do vírus.