Líder da JFNLA desvaloriza afastamento do cargo e acusa direcção do partido de “violar os estatutos” – Correio da Kianda
O Secretário Nacional da Juventude da FNLA, Carlos Cassoma, reagiu esta semana ao comunicado do Secretariado do Bureau Político que o afastou do cargo, e classificou a decisão como “farsa”, “ilegal” e “perseguição”.
Em declarações ao Correio da Kianda, Cassoma defendeu que não pode ser exonerado por um órgão que considera inferior na hierarquia do partido.
“Carlos Cassoma não foi indicado pelo presidente. Carlos Casoma não foi nomeado. Carlos Cassoma foi eleito no congresso. Portanto, a sua retirada só é feita à luz daquilo que estabelece os pressupostos estatutários”, esclareceu, tendo sustentado que o seu mandato teve origem no 3º Congresso Ordinário da JFNLA, em 2024, e só termina em 2028.
Para o dirigente juvenil, a hierarquia estatutária da FNLA é clara, sustentando que apenas o Congresso, Comité Central e só depois o Presidente.
“O Secretariado-Geral do Bureau Político é um órgão muito inferior para poder decidir sobre um órgão eleito em pleno congresso”, disse.
Cassoma chamou o comunicado de 29 de Julho de “falso” por não respeitar os procedimentos. Defende que, em caso de violação, o presidente Nimi-a-Simbi deve convocar o Comité Central, que é o único órgão com legitimidade para deliberar e dar o “veredicto final”.
“Este comunicado não tem legitimidade estatutária, não tem competência para efeito para poder retirar as funções do secretário-geral da JFNLA”, reforçou.
Segundo disse, esta é a terceira tentativa de suspensão, que classifica como “muito injusta, de forma tribalística, de forma perseguidora”.
A JFNLA pede a direcção do partido que convoque com urgência os órgãos centrais, como o Congresso e Comité Central para travar a crise interna.
“O essencial seria, na verdade, convocar a reunião do comitê central para poder diminuir todos os conflitos. Está a perder tempo por não convocar o órgão máximo”, declarou.
Cassoma disse ainda que continua a exercer o cargo “na normalidade” e “a responder legitimamente pela JFNLA” até que os estatutos sejam cumpridos.
A reacção surge dias depois do Secretariado do Bureau Político da FNLA, ter condenado as assembleias provinciais em curso e anunciado o afastamento de Cassoma, que em 16 de Maio tinha declarado não se rever na actual direcção.
Com o 2 de Agosto, data da morte do fundador Holden Roberto, a aproximar-se, a disputa expõe a fundo a divisão entre a direção do partido e a ala juvenil.