Forças russas são acusadas de ataque contra civis no centro do Mali – Correio da Kianda
A organização Human Rights Watch acusa forças paramilitares russas do Africa Corps de terem matado oito civis, incluindo três crianças, durante um ataque aéreo realizado em junho na região de Mopti, no centro do Mali.
Segundo um relatório divulgado pela organização, um avião militar Sukhoi Su-24 lançou pelo menos duas munições contra a aldeia de Kyrnia, no dia 15 de junho. O ataque atingiu uma zona residencial e provocou a morte de membros de uma família, incluindo dois filhos do chefe da aldeia, a esposa e outra criança.
A Human Rights Watch afirma que não identificou a presença de combatentes de grupos armados entre as vítimas. A organização sustenta que o ataque atingiu exclusivamente civis, embora o Africa Corps tenha reivindicado a operação e alegado ter destruído uma posição usada por grupos terroristas.
De acordo com testemunhos recolhidos pela ONG, cerca de 100 combatentes do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), incluindo um comandante de alto nível, estariam na aldeia no momento dos bombardeamentos.
A investigadora sénior da Human Rights Watch para o Sahel, Ilaria Allegrozzi, afirmou que o Governo do Mali deve assumir responsabilidade pelas ações das forças aliadas que operam no país.
O Mali enfrenta uma grave crise de segurança desde 2012, marcada pela expansão de grupos extremistas e conflitos com movimentos separatistas. Nos últimos meses, a junta militar no poder tem intensificado operações contra grupos insurgentes, contando com o apoio de forças russas, após o afastamento da França, antiga potência colonial.
A aproximação entre Bamako e Moscovo ganhou força depois dos golpes militares de 2020 e 2021, quando a junta governante rompeu parte da cooperação tradicional com países ocidentais e passou a apostar numa parceria militar com a Rússia para combater a insurgência.