“Sector hídrico deve liderar transformação da agricultura”, defende engenheiro agrónomo – Correio da Kianda
O engenheiro agrónomo Francisco Lopes defendeu a necessidade de reforçar o investimento no sector hídrico e de o articular com o factor terra como condição essencial para impulsionar a agricultura em Angola. As declarações foram feitas no programa “A Voz do Campo”, da Rádio Correio da Kianda.
Segundo o especialista, é fundamental levar os recursos hídricos para o interior do país, onde se concentram as maiores potencialidades agrícolas, criando condições para que mais cidadãos se dediquem à produção.
“É preciso potencializar o sector hídrico e associá-lo ao factor terra. A partir daí, cria-se maior apetência no cidadão para praticar a agricultura, porque o sector público colocou o recurso hídrico lá onde o cidadão precisa, que é no interior”, afirmou.
Francisco Lopes recordou que Angola já dispôs de escolas agrárias que formavam profissionais em engenharia hidráulica, vocacionados para a construção de infra-estruturas hidrotécnicas, como canais, rios artificiais e bacias de irrigação. Acrescentou que a mecanização agrícola fazia parte da formação, preparando técnicos e tractoristas para apoiar o desenvolvimento do sector.
Na sua análise, o fortalecimento da agricultura pode também impulsionar o turismo, ao reduzir os custos de produção de alimentos e aumentar a oferta de produtos nacionais.
O engenheiro agrónomo considerou que Angola reúne todas as condições para recuperar o estatuto de potência agrícola, destacando a abundância de terras aráveis, recursos hídricos e quadros técnicos qualificados.
“Terra nós temos, recursos hídricos temos em abundância, recursos técnicos também temos, o factor humano, técnicos, nós temos”, sublinhou.
Apesar de reconhecer os investimentos feitos na criação de escolas agrárias, Francisco Lopes lamentou que muitos dos técnicos formados não sejam integrados em projectos de desenvolvimento agrícola.
“Infelizmente, os técnicos, depois de formados, não são encaminhados para o sector de desenvolvimento. Há muito por continuar a aperfeiçoar”, concluiu.