Zâmbia restringe exportação de cobre bruto e impõe exigências a empresas chinesas – Correio da Kianda
A Zâmbia, reconhecida como o segundo maior produtor de cobre do continente africano, decidiu limitar a exportação de cobre não refinado. A medida regulatória visa forçar as empresas mineiras estrangeiras, com particular destaque para as operadoras chinesas, a processar o mineral em território nacional, promovendo a industrialização e a criação de postos de trabalho locais.
A decisão do executivo zambiano surge num momento de redefinição estratégica das políticas mineiras na região austral de África. O governo tem pressionado as multinacionais a investirem em refinarias locais, reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima bruta, que historicamente beneficia as economias externas em detrimento do desenvolvimento doméstico.
As empresas chinesas, que controlam uma parte significativa das concessões mineiras no Cinturão do Cobre (Copperbelt), enfrentam agora novas directrizes. Lusaka estabeleceu regras claras que obrigam estas firmas a apresentar planos concretos para a construção ou expansão de infra-estruturas de processamento metalúrgico no país, de forma a garantir que o valor acrescentado permaneça na economia local.
A China é o maior consumidor global de cobre, utilizando o mineral essencialmente na transição energética, fabrico de componentes electrónicos e infra-estruturas de grande porte. Esta nova postura da Zâmbia poderá redefinir os termos de cooperação comercial entre os dois países, exigindo maior transferência de tecnologia e investimento directo na cadeia de valor industrial africana.
Segundo dados económicos avançados pela imprensa internacional, esta medida da Zâmbia alinha-se com uma tendência continental, onde vários países ricos em recursos minerais procuram renegociar contratos e implementar barreiras à exportação de minérios em bruto para salvaguardar os interesses económicos nacionais.