CIVICOP quer processo de reconciliação acima das diferenças políticas e religiosas – Correio da Kianda
A Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) defendeu esta sexta-feira, 24, que o processo de reconciliação nacional deve envolver todos os angolanos, independentemente da sua filiação política, crença religiosa ou posição ideológica, para consolidar uma paz duradoura e fortalecer a unidade nacional.
A posição foi manifestada durante o programa “Especial Informação”, da Rádio Correio da Kianda, que reuniu membros da comissão, representantes da sociedade civil e especialistas para reflectirem sobre os avanços e desafios da reconciliação em Angola.
O sociólogo João Sassando considerou que o sucesso do processo depende da capacidade dos angolanos de ultrapassarem divisões históricas e construírem uma cultura de diálogo, perdão e respeito mútuo. Segundo o académico, a reconciliação exige um trabalho profundo de valorização da pessoa humana, capaz de criar bases sólidas para uma sociedade mais coesa e preparada para os desafios das próximas gerações.
No mesmo sentido, o especialista em resolução de conflitos e membro da CIVICOP, Luís Jimbo, afirmou que a comissão sempre procurou ouvir todas as partes envolvidas nos conflitos políticos, embora tenha enfrentado divergências internas motivadas por posições pessoais e partidárias de alguns dos seus integrantes.
Luís Jimbo revelou que algumas organizações defenderam que determinados casos apenas poderiam ser analisados mediante autorização das respectivas estruturas políticas, uma posição que, na sua perspectiva, dificultou o trabalho da comissão, cujo objectivo sempre foi promover uma abordagem inclusiva e imparcial.
O padre Celestino Epalanga, do gabinete técnico da CIVICOP, recordou que o processo continua a lidar com casos de elevado impacto humano, citando o acompanhamento prestado a uma família cujos nove irmãos terão sido sepultados vivos em Catete, na actual província do Icolo e Bengo. Segundo o sacerdote, preservar a memória das vítimas constitui um passo essencial para a consolidação da reconciliação nacional.
Por sua vez, Domingos Manuel, representante da Fundação 27 de Maio, destacou o papel desempenhado pela organização na aproximação entre os familiares das vítimas e a CIVICOP, defendendo que a colaboração entre as partes tem sido determinante para o avanço do processo.
A CIVICOP prossegue as sessões de auscultação em várias províncias do país, recolhendo testemunhos, promovendo actos de reparação simbólica e prestando apoio às famílias das vítimas, no quadro dos esforços para consolidar a reconciliação nacional com base na verdade, na memória e no perdão.