Lula rejeita pressão dos EUA e diz que Brasil vai procurar novos mercados após aumento de tarifas – Correio da Kianda
O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o país não vai depender das medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos e garantiu que o Governo brasileiro vai procurar novos mercados para as exportações nacionais, após a entrada em vigor do aumento das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.
A sobretaxa de 25% aplicada a determinados produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos começou a vigorar esta quarta-feira, numa decisão da administração do Presidente Donald Trump, que justifica a medida com alegadas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.
Em resposta, Lula afirmou que o Brasil vai procurar alternativas comerciais e apoiar os sectores afectados pela decisão norte-americana. “Não vamos ficar a chorar por um produto que não lhes vendemos, vamos procurar outros compradores”, declarou o chefe de Estado brasileiro.
O Governo de Brasília anunciou uma linha de crédito avaliada em 18,5 mil milhões de reais, equivalente a cerca de 3,2 mil milhões de euros, para ajudar empresas prejudicadas pelas novas tarifas e incentivar a diversificação dos mercados de exportação.
Apesar de ter mencionado inicialmente a possibilidade de uma resposta baseada numa lei de reciprocidade comercial, Lula indicou que o Brasil pretende privilegiar a negociação e evitar uma guerra comercial com os Estados Unidos.
“Não vamos levantar-nos da mesa de negociações. São eles que não querem negociar”, afirmou o Presidente brasileiro, defendendo que o país tem capacidade para ampliar parcerias económicas internacionais.
Sectores como máquinas, calçado e madeira estão entre os mais afectados pelas novas tarifas, enquanto produtos como carne bovina e café foram excluídos da medida.
A disputa comercial acontece num contexto político marcado pela aproximação das eleições presidenciais brasileiras de Outubro, nas quais Lula deverá concorrer à reeleição frente ao senador Flávio Bolsonaro, apoiado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump.
O Governo brasileiro considera que a diversificação dos parceiros comerciais poderá reduzir os impactos da medida norte-americana e fortalecer a posição do país no comércio internacional.